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Os contrastes de Zanzibar

Zanzibar é um pequeno arquipélago banhado pelo Oceano Índico. Considerado um país semiautônomo à Tanzânia, esse pedacinho do continente africano tem mais de 90% de população muçulmana, que vive em extrema pobreza. Sua economia gira, principalmente, por conta do turismo.

Para quem está à procura de praias paradisíacas, mergulho, passeios de barco, calor escaldante e muito sossego, a ilha é um prato cheio e oferece inúmeras opções de hotéis, para todos os gostos e bolsos.

A eleita para os três dias da nossa passagem pela ilha foi a praia de Nungwi, uma das mais belas de Zanzibar. Ficamos hospedados no Z Hotel, mais bonito por fora do que por dentro, mas valeu. Caso tenha interesse, minhas considerações detalhadas sobre o hotel estão no Tripadvisor ;o)

Depois de tanto acordar cedo para pegar os diversos voos que nos levaram para lá e para cá pela África, resolvemos que nossa parada em Zanzibar seria somente para R-E-L-A-X-A-R. Então, passamos boa parte do tempo tomando um sauvignon blanc geladinho na piscina de borda infinita do hotel, com vista para o oceano. O azul do Índico contrastava com os coloridos trajes das muçulmanas que, ao final do dia, lavavam suas roupas à beira mar, enquanto as crianças brincavam alegremente a sua volta. IMG_3016

IMG_2939Tenho que ser sincera. Fazer um passeio romântico (a dois) nessa praia é complicado, pois lá, nunca estamos a sós. Basta colocar os pés na areia, na linha tênue que separa o hotel da praia, que inúmeros pescadores começam a te abordar, tentando vender passeios de barco, artesanato local ou descolar algum agrado. Quando você nega, eles respondem: hakuna matata e passam a rodear outros turistas. A expressão em swahili, a língua local, significa “sem problemas”, “não se preocupe” e resume bem o espírito de seus habitantes.

IMG_2929Quando conseguimos nos desvencilhar dessa turma de capitães de areia, demos uma olhada para trás e vimos que ainda tínhamos companhia. Eram eles, uma dupla da tribo maasai, nômades que costumam circular pelo Quênia e Tanzânia, em seus mantos vermelhos. Eles simplesmente passam a te se seguir e acompanhar sua caminhada e, se você dá corda, começam a conversar, falam um pouco de sua cultura e não deixam dúvida de sua enorme simpatia e marcante personalidade. Estes são Daniel e Michael, que após um jogo de vôlei na praia, nos acompanharam de volta ao hotel, cheios de estilo e alegria.

Tudo isso me fez pensar. Em meio a uma condição de vida precária em todos os sentidos, o povo de Zanzibar, que tem tantos motivos para reclamar e se lamentar, é guerreiro e batalhador. Mais agradece do que pede e está sempre distribuindo gentilezas e sorrisos, acompanhados do mantra “hakuna matata”, e seguindo em frente.

Zanzibar é um lugar que mexe com a gente e ponto. É inevitável.

Eu voltei de lá com um sentimento de que essa viagem foi um divisor de águas na minha vida. Algo aqui dentro mudou. Poucos dias na ilha foram suficientes para gerar um misto de inquietação, questionamento e reflexão, que me trouxe bastante aprendizado. Uma mudança de perspectiva. Uma mudança para o bem. Uma grande lição.

Acho que a canção do filme O Rei Leão resume bem o significado por trás dessa experiência e incrível viagem: “isso é viver, é aprender, hakuna matata”.IMG_2917

 

 

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Cape Town vista de cima

Em dias como o de hoje, frio e chuvoso, costumo me transportar mentalmente para um lugar quente e ensolarado, do jeitinho que eu gosto. Hoje, meus pensamentos foram até a Cidade do Cabo, África do Sul, um lugar surpreendente, que deixou ótimas lembranças.

Quando planejamos nossa viagem, não havia voos diretos de São Paulo para Cape Town (CPT). A parada em Johannesburg (JNB) seria obrigatória. Voamos pela South African Airways e, no momento do check in em SP, nos disseram que teríamos que trocar de aeronave em JNB, passar pela alfândega, pegar as bagagens na esteira e fazer um novo check in para CPT. Nem preciso dizer que perdemos o voo, né?

Conseguimos resolver o perrengue e pegamos o próximo voo com destino à Cape Town. Chegamos no dia do aniversário do Mauricio, e meu maior desejo era que esse dia fosse muito especial.

O clima de Cape Town é um pouco instável. Em poucas horas, um dia ensolarado pode se transformar num céu carregado e coberto de nuvens. Por isso, a recomendação que mais recebi de amigos viajantes e compartilho aqui com vocês é: se você chegar à Cape Town num dia de céu aberto, corra para a Table Mountain.

Foi exatamente o que fizemos. Assim que nos instalamos no Dysart Boutique Hotel, (um encanto à parte), comemos um lanche rápido, pedimos um taxi e fomos direto para lá. Também é possível pegar uma carona no City Sightseeing Bus ou utilizar ônibus convencionais. O imprescindível é não deixar de ir.

IMG_9352Chegamos e compramos nossos ingressos para subir pelo cable car, um tipo de bondinho, que nos leva até o topo do complexo de montanhas em apenas cinco minutos. Confesso que estava com frio na barriga, pois não sou fã de altura, nem de lugares fechados. Porém, o cable car é aberto e giratório, o ar circula bastante e a paisagem é tão, mas tão linda, que nem vi o tempo passar.

Desembarcamos a mais de mil metros de altitude. Por mais alta que esteja a temperatura lá embaixo, a história muda de figura lá em cima. Leve um agasalho. Você pode fazer trilhas, caminhadas e, se tiver um verdadeiro espírito destemido e aventureiro (que não é o meu caso), também pode escalar os penhascos. Boa sorte!

A vista panorâmica realmente impressiona, lembra um pouco o Rio de Janeiro. É possível ver cada canto da cidade e a sensação é de estar bem pertinho do céu.

Demos sorte, pois o vento frio afastou para longe as poucas nuvens que havia do céu, dando espaço para um colorido que anunciava a chegada de mais um pôr do sol. E foi, desse jeito, que começamos a comemorar o aniversário do Mau, agradecendo por esse presente que a natureza nos deu.

A beleza e energia que vimos e sentimos por estarmos ali no alto, tendo a mais bela vista de Cape Town, jamais caberiam numa fotografia. Tentamos eternizar esse momento mesmo assim…

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À noite fomos jantar no Beluga, um restaurante descolado e cosmopolita, especializado em frutos do mar e gastronomia japonesa, localizado num galpão desativado na região de Green Point.

Pedimos lulas e camarões marinados de entrada e, de prato principal, o Mau pediu atum com crosta de gergelim e eu arrisquei um “kingklip”, peixe típico das águas frias do País, ambos deliciosos. Para acompanhar, seguimos a sugestão do garçom e tomamos duas garrafas de Chenin Blanc sul-africano, fresco e frutado, e não nos arrependemos.

Fomos muito bem atendidos do início ao fim por um garçom que realmente sabia o que estava fazendo, conhecia no detalhe os ingredientes dos pratos, sugeria vinhos para as harmonizações e, para fechar com chave de ouro, nos trouxe um sorvete personalizado e ainda cantou parabéns para o Mau.

No final das contas, o dia foi bem mais especial do que eu havia planejado. Com certeza, esse aniversário vai ficar guardado para sempre em nossos corações.

 

 

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Um pouco de Toscana nunca é demais

Minha recomendação mais importante para uma viagem pela Toscana é que você se perca, propositalmente. Não se apegue tanto ao GPS, pois a região tem tanto a oferecer, que seria um desperdício selecionar o que visitar ou não. Deixe-se levar e não se arrependerá.

Chegamos a Firenze ainda sem hotel definido, mas com algumas ideias em mente. Fomos parando de hotel em hotel, até encontrarmos um que nos encantasse e, claro, que tivesse um quarto disponível. Foi assim, que encontramos o Villa Belvedere Hotel.

Ele era simples, mas atendia aos quatro pontos que mais levo em consideração ao escolher um hotel: limpeza, conforto, charme e um belo café da manhã. De lambuja, ainda vi um gatinho andando no estacionamento (para quem não me conhece, sou gateira), era o sinal que faltava para que nos hospedássemos ali.

3O quarto era bem tradicional, estilo fiorentino, e espaçoso. Da janela, além da vista para a piscina, cercada pelos mais belos tipos de flores, ainda podíamos avistar ao fundo a magnífica Catedral Santa Maria del Fiore.

Sempre pedimos dicas de passeio ao concierge do hotel e, dessa vez, nos recomendaram uma esticada até uma comuna italiana chamada Fiesole, que fica a aproximadamente 10 km de Firenze. Fomos conferir.

2O lugar é realmente encantador. Subimos de carro até uma colina que revelava novamente a grandeza da Duomo, dessa vez vista de outro ângulo, mas igualmente bela. A foto principal do post de hoje foi tirada no caminho para lá. Fiquei apaixonada pelos diferentes tons de verde que enfeitavam a antiga construção. Suas paisagens retratam as cores, a personalidade e a alma da Toscana. Simplesmente imperdível.

No final do dia, resolvemos jantar num restaurante, do qual infelizmente não me lembro o nome, pois era incrível. Lembro que pedimos uma entrada divina, que mais parecia um prato principal. Havia porções do puríssimo e saboroso parmigiano reggiano, tomate seco, azeitona (pulei essa parte), caponata de berinjela e abobrinha, salames e cogumelos variados. Para acompanhar, pedimos um Chianti clássico, com a certeza de que seria o casamento perfeito. Nossa, só de falar, já me deu água na boca!

Agora só me resta preparar algo para jantar que me lembre essa experiência, já que o vinho estou tomando desde que comecei a contar essa história…

Até a próxima ;o)

 

 

 

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Annecy, charmosa até em dia de feira

Na manhã de 15 de junho do ano passado, saímos de Dijon a caminho de Annecy, uma cidadezinha da região dos Alpes franceses. Escolhemos estar a muitos quilômetros de distância da Copa do Mundo no Brasil. E fizemos a escolha certa.

A pequena Annecy já encantava pelas fotos, parecia uma cidade de conto de fadas, de tão perfeita. Eu sabia que ela nos encantaria ainda mais ao vivo, mas não imaginava que pudesse ser tão charmosa e apaixonante.

IMG_2048A começar pelo Splendid Hotel, que, em minha opinião, merece muito mais do que as 3 estrelas que tem. Muito bem localizado e com uma maravilhosa vista para o lago Annecy, ele nos surpreendeu positivamente em vários momentos.

Na recepção, fomos acolhidos com muita simpatia e, quando souberam que éramos brasileiros, ficaram animadíssimos, afinal, o Brasil estava em alta na época. Ao chegar no quarto, bastante espaçoso e confortável, encontramos um cartão de boas-vindas assinado pelo gerente do hotel e acompanhado por uma porção de deliciosos macarons. Quem não adora esses mimos? No café da manhã, croissants quentinhos com chocolate adoçavam ainda mais nossos dias e nos davam energia para perambular pela cidade.

Tivemos a sorte de chegar num dia de feira. A cidade fica lotada de turistas que, provavelmente, assim como eu, enlouquecem ao se deparar com tantas cores, cheiros e sabores. Vamos começar pelos tomates no canto esquerdo da foto abaixo. Meu Deus, que coisa mais linda é essa? Parece uma abóbora, só que vermelha e pequena. Não provei, mas imaginei que devia ser muito suculento e ter um sabor bem adocicado. Um pouco a frente, queijos e mais queijos, infinitos tipos e formatos de queijos. Aquele cheiro incrível de roquefort, brie e chèvre no ar. Definitivamente, eu moraria numa cidade de queijos – pensei. Mais adiante, torrones (também conhecidos como nougat) de figo, café, pistache, nutella, gengibre, caramelo e muitas outras opções, que comprei em fatias e trouxe comigo na mala. Flores, pasta de caviar, azeitonas, frutas, pães e artesanatos completavam as barraquinhas que tornavam Annecy ainda mais charmosa.

Você pode caminhar pelas ruelas ou alugar uma bicicleta. Nós passeamos o dia inteiro a pé. O importante é explorar cada canto, já que há tanta beleza e boas surpresas por lá.

No fim de tarde, sentamos num dos barzinhos à beira do lago, pedimos um croque monsieur, uma cervejinha gelada e aproveitamos a vista romântica.

Esse foi um dia simples, mas muito feliz. Que venham outros!

Em breve, outras paisagens, experiências e dicas desse pedacinho do paraíso.

Beijos,