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Stone Town, a capital de Zanzibar

img_2979Tenho que ser honesta com vocês. Não esperem encontrar uma avenida à beira mar, que margeie o Índico e conecte vocês a todos os lados da ilha de Zanzibar. Isso não existe por ali. De onde quer que você saia, o caminho até a capital Stone Town não é nada bonito. Essa é a verdade nua e crua, mas é bom saber, para não criar expectativas.

O traslado do nosso hotel em Nungwi, até o Centro foi bem salgado (USD 100) e ainda perdemos mais de 2h dentro do carro, num sol de rachar, sem ver um pedacinho daquele lindo mar azul. Por isso, nos outros dias, preferimos curtir a piscina e a praia a fazer outros passeios.

Como comentei no post anterior, a cidade vive em extrema miséria e em condições subumanas de higiene e saúde. Por outro lado, Zanzibar tem uma das riquezas mais especiais de todas: sua gente! Um povo que poderia andar de cara feia e reclamar te tudo (com razão), mas que preferiu fazer uma escolha diferente, sendo alegre e sorridente. Praticamente um mantra, o tão falado “hakuna matata”, que em swahili significa “sem problemas”, resume bem o espírito e estilo de vida de todos os seus habitantes.

A população da ilha é basicamente muçulmana. Então, procure respeitar os hábitos e costumes locais. Por mais calor que esteja, nada de andar de shortinhos, minissaias e regatinhas (a não ser que você esteja na praia). Não é porque somos turistas que podemos ignorar suas tradições, certo?

img_2985Contratamos um guia local para nos levar aos principais pontos da Cidade de Pedra. Começamos pela casa onde nasceu e cresceu o cantor Freddie Mercury, passamos por mesquitas, museus, pelo Mercado Municipal e suas especiarias mil. Aliás, não é à toa que Zanzibar é conhecida como Spice Island, os aromas de noz moscada, canela, cardamomo, cravo e frutas perfumam todos os cantos da cidade. Também entramos numa joalheria para conhecer a tanzanite, a famosa pedra de cor violeta descoberta na Tanzania, objeto de desejo de muitas mulheres. No fim do passeio, paramos numa praça em frente ao mar, onde resolvi prestigiar os artistas de rua fazendo uma tatuagem de henna nas mãos, bastante comum na cultura local.

fullsizerenderO mais impressionante de caminhar pelas ruas da cidade é observar as largas portas de madeira talhadas, com estilo meio indiano, meio árabe, reflexo de um passado de diferentes colonizações e influências. Existem centenas de modelos e cores, todas lindas e imponentes. Compramos o pôster ao lado e eternizamos a ilha, não só  na parede de casa, mas também em nossos corações.

Dica de ouro para quem deseja conhecer a ilha de Zanzibar: procure viajar em períodos de temperaturas mais amenas. Nós fomos em setembro, bem distante do Verão e, mesmo assim, chegamos a pegar dias de quase 40 graus. É punk, meus amigos! Esse calor acaba com a gente, viu?

Quer saber mais sobre Zanzibar? Clique aqui ou aqui.

bjs e até a próxima ;o)

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Os contrastes de Zanzibar

Zanzibar é um pequeno arquipélago banhado pelo Oceano Índico. Considerado um país semiautônomo à Tanzânia, esse pedacinho do continente africano tem mais de 90% de população muçulmana, que vive em extrema pobreza. Sua economia gira, principalmente, por conta do turismo.

Para quem está à procura de praias paradisíacas, mergulho, passeios de barco, calor escaldante e muito sossego, a ilha é um prato cheio e oferece inúmeras opções de hotéis, para todos os gostos e bolsos.

A eleita para os três dias da nossa passagem pela ilha foi a praia de Nungwi, uma das mais belas de Zanzibar. Ficamos hospedados no Z Hotel, mais bonito por fora do que por dentro, mas valeu. Caso tenha interesse, minhas considerações detalhadas sobre o hotel estão no Tripadvisor ;o)

Depois de tanto acordar cedo para pegar os diversos voos que nos levaram para lá e para cá pela África, resolvemos que nossa parada em Zanzibar seria somente para R-E-L-A-X-A-R. Então, passamos boa parte do tempo tomando um sauvignon blanc geladinho na piscina de borda infinita do hotel, com vista para o oceano. O azul do Índico contrastava com os coloridos trajes das muçulmanas que, ao final do dia, lavavam suas roupas à beira mar, enquanto as crianças brincavam alegremente a sua volta. IMG_3016

IMG_2939Tenho que ser sincera. Fazer um passeio romântico (a dois) nessa praia é complicado, pois lá, nunca estamos a sós. Basta colocar os pés na areia, na linha tênue que separa o hotel da praia, que inúmeros pescadores começam a te abordar, tentando vender passeios de barco, artesanato local ou descolar algum agrado. Quando você nega, eles respondem: hakuna matata e passam a rodear outros turistas. A expressão em swahili, a língua local, significa “sem problemas”, “não se preocupe” e resume bem o espírito de seus habitantes.

IMG_2929Quando conseguimos nos desvencilhar dessa turma de capitães de areia, demos uma olhada para trás e vimos que ainda tínhamos companhia. Eram eles, uma dupla da tribo maasai, nômades que costumam circular pelo Quênia e Tanzânia, em seus mantos vermelhos. Eles simplesmente passam a te se seguir e acompanhar sua caminhada e, se você dá corda, começam a conversar, falam um pouco de sua cultura e não deixam dúvida de sua enorme simpatia e marcante personalidade. Estes são Daniel e Michael, que após um jogo de vôlei na praia, nos acompanharam de volta ao hotel, cheios de estilo e alegria.

Tudo isso me fez pensar. Em meio a uma condição de vida precária em todos os sentidos, o povo de Zanzibar, que tem tantos motivos para reclamar e se lamentar, é guerreiro e batalhador. Mais agradece do que pede e está sempre distribuindo gentilezas e sorrisos, acompanhados do mantra “hakuna matata”, e seguindo em frente.

Zanzibar é um lugar que mexe com a gente e ponto. É inevitável.

Eu voltei de lá com um sentimento de que essa viagem foi um divisor de águas na minha vida. Algo aqui dentro mudou. Poucos dias na ilha foram suficientes para gerar um misto de inquietação, questionamento e reflexão, que me trouxe bastante aprendizado. Uma mudança de perspectiva. Uma mudança para o bem. Uma grande lição.

Acho que a canção do filme O Rei Leão resume bem o significado por trás dessa experiência e incrível viagem: “isso é viver, é aprender, hakuna matata”.IMG_2917

 

 

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Zanzibar: de filtro, só o solar!

A chegada em Zanzibar é, no mínimo, impactante. Em todos os sentidos.

Da janela do avião, é impossível não se impressionar com o azul intenso do Oceano Índico. Sem dúvida, um dos mais lindos que já vi.

Saindo do avião, temperatura por volta de 40 graus e um sol de rachar. Ainda bem que levamos filtro solar!

O aeroporto tem pouca estrutura. As malas são empilhadas no chão mesmo, uma em cima das outras. O ar condicionado capenga não dá conta e a desorganização reina. Finalmente, pegamos nossas malas e passamos pela alfândega. Não víamos a hora de chegar no hotel.

Eu e meu marido, Mauricio, não havíamos contratado transfer do aeroporto para o hotel, já que o plano era alugar um carro e dar a volta na ilha, de ponta a ponta. Para nossa surpresa, não existia nenhuma empresa de locação de veículos, mas um bando de locais falando meio swahili-meio inglês, tentando “oferecer” serviço de motorista particular ou nos empurrar um carro velho. Não havia taxis.

Depois de alguns minutos aflitivos, sem conseguir falar com o hotel, arriscamos e “contratamos” um motorista, que dirigiu como um louco por uma estrada esburacada e nos cobrou 100 dólares pela aventura. Foi assim que descobrimos que lá não existe uma avenida à beira mar, nem sinalização.

Fizemos o check in no hotel e logo nos deparamos com um presente maravilhoso da natureza, que nos fez esquecer todo o perrengue que passamos e simplesmente agradecer por estarmos ali.

Era o incrível pôr-do-sol da praia de Nungwi, sem filtros, aguardando nossa chegada para ser contemplado.