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Meio dia em Paris

Confesso que nunca fui muito fã de Woody Allen, mas tive que dar o braço a torcer quando assisti Meia Noite em Paris pela primeira vez.

O filme conta a história do escritor americano Gil (Owen Wilson) que está de férias em Paris e, na noite que resolve caminhar até o hotel para tomar um ar fresco, se dá conta de que está perdido. Sentado aos pés da escadaria de uma igrejinha, após ouvir as doze badaladas da meia noite, ele pega carona num carro antigo que, misteriosamente, o leva de volta aos anos 20.

Num bar, ele encontra grandes artistas, músicos e pintores, pelos quais tem enorme admiração, como Scott Fitzgerald, Cole Porter, Ernest Hemingway, Picasso e Dalí. No início, fica bastante atordoado e desorientado ao ouvi-los contar suas histórias, até compreender que havia feito uma viagem no tempo.

A partir de então, ele cria uma rotina e todas as noites passa a viver incríveis momentos ao lado de seus ídolos. O passado sempre teve um charme especial para Gil. Ele pensava que seria mais feliz vivendo em outra época e, na verdade, realmente viveu, ainda que por alguns dias. Esses encontros enriquecedores, serviram de grande inspiração para que ele conseguisse finalizar o romance no qual estava trabalhando e tomar a decisão de largar tudo e morar em Paris. A chance de um recomeço.

Do jardim de Giverny, à tão clichê e necessária Torre Eiffel, a beleza da cidade dispensa qualquer cenário, pois cada canto parece uma verdadeira pintura.

O filme é doce, delicado, instigante. A trilha sonora é tão envolvente, que só de ouvir uma das minhas canções preferidas, chamada “Si tu vois ma mère”, já começo a me imaginar caminhando pelas ruas da capital francesa.

Sério, faça o teste. Digite o nome da música no You Tube e ouça com o coração. Foi o que fiz durante todo o tempo que me dediquei a escrever esse post. Ouvi toda a trilha sonora que, inevitavelmente, me emocionou.

IMG_6864E foi assim, que esse filme conseguiu despertar meu interesse e desejo de conhecer a bela Paris. No dia que chegamos, fomos direto para a famosa esquina onde o escritor todas as noites pegava sua carona. Para quem quiser passar por lá, esse cantinho fica na Rue Sainte-Geneviève, bem atrás do Pantheon.

Foi tão legal estar ali e imaginar como seria viajar no tempo, escolher uma época que te agrada e embarcar sem medo de ser feliz…

 

Nesse dia, caminhamos pelas ruas da cidade despretensiosamente. Compramos alguns doces na Angelina (Rue de Rivoli), sentamos numa praça dentro do belíssimo Jardin de Tuileries e aproveitamos a  simplicidade do momento, sem pressa e com muito amor.

Afinal, a encantadora Paris inspira toda e qualquer paixão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Annecy, charmosa até em dia de feira

Na manhã de 15 de junho do ano passado, saímos de Dijon a caminho de Annecy, uma cidadezinha da região dos Alpes franceses. Escolhemos estar a muitos quilômetros de distância da Copa do Mundo no Brasil. E fizemos a escolha certa.

A pequena Annecy já encantava pelas fotos, parecia uma cidade de conto de fadas, de tão perfeita. Eu sabia que ela nos encantaria ainda mais ao vivo, mas não imaginava que pudesse ser tão charmosa e apaixonante.

IMG_2048A começar pelo Splendid Hotel, que, em minha opinião, merece muito mais do que as 3 estrelas que tem. Muito bem localizado e com uma maravilhosa vista para o lago Annecy, ele nos surpreendeu positivamente em vários momentos.

Na recepção, fomos acolhidos com muita simpatia e, quando souberam que éramos brasileiros, ficaram animadíssimos, afinal, o Brasil estava em alta na época. Ao chegar no quarto, bastante espaçoso e confortável, encontramos um cartão de boas-vindas assinado pelo gerente do hotel e acompanhado por uma porção de deliciosos macarons. Quem não adora esses mimos? No café da manhã, croissants quentinhos com chocolate adoçavam ainda mais nossos dias e nos davam energia para perambular pela cidade.

Tivemos a sorte de chegar num dia de feira. A cidade fica lotada de turistas que, provavelmente, assim como eu, enlouquecem ao se deparar com tantas cores, cheiros e sabores. Vamos começar pelos tomates no canto esquerdo da foto abaixo. Meu Deus, que coisa mais linda é essa? Parece uma abóbora, só que vermelha e pequena. Não provei, mas imaginei que devia ser muito suculento e ter um sabor bem adocicado. Um pouco a frente, queijos e mais queijos, infinitos tipos e formatos de queijos. Aquele cheiro incrível de roquefort, brie e chèvre no ar. Definitivamente, eu moraria numa cidade de queijos – pensei. Mais adiante, torrones (também conhecidos como nougat) de figo, café, pistache, nutella, gengibre, caramelo e muitas outras opções, que comprei em fatias e trouxe comigo na mala. Flores, pasta de caviar, azeitonas, frutas, pães e artesanatos completavam as barraquinhas que tornavam Annecy ainda mais charmosa.

Você pode caminhar pelas ruelas ou alugar uma bicicleta. Nós passeamos o dia inteiro a pé. O importante é explorar cada canto, já que há tanta beleza e boas surpresas por lá.

No fim de tarde, sentamos num dos barzinhos à beira do lago, pedimos um croque monsieur, uma cervejinha gelada e aproveitamos a vista romântica.

Esse foi um dia simples, mas muito feliz. Que venham outros!

Em breve, outras paisagens, experiências e dicas desse pedacinho do paraíso.

Beijos,

 

 

 

 

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O vilarejo de St. Rémy

Quando cheguei à pequena Saint-Rémy-de-Provence, avistei a charmosa Joël Durand Chocolatier.

Ao entrar na loja, o cheiro de chocolate tomou conta do ar. Aromas de laranja, mel, lavanda, pimenta, canela e outras especiarias instigavam os sentidos. Joël, que cuida pessoalmente da “chocolateria”, desenvolveu um alfabeto de sabores, onde cada bombom leva uma letra e cada sabor possui uma história. Todos os que experimentei eram D-E-L-I-C-I-O-S-O-S. Recomendo muito!

Logo me lembrei do antigo e adorável filme “Chocolat”, estrelado por Juliette Binoche (Vianne) e outros grandes atores. Ele conta a história de mãe e filha, nômades e ateias, que chegam a um vilarejo tranquilo na França e resolvem abrir uma loja de chocolates em plena Quaresma.

Por se tratar de um período de abstinência, os religiosos mais conservadores do tranquilo vilarejo ficam horrorizados, pois consideram um momento inoportuno para abrir o comércio e, de forma preconceituosa, evitam qualquer contato com as novas moradoras com intuito de boicotar o negócio.

Por herança de seus ancestrais, Vianne acreditava que o cacau, além de possuir propriedades medicinais de cura, tinha o poder de libertar desejos e revelar o destino das pessoas. Por isso, preparava tudo com tanta paixão e dedicação.

O aroma do chocolate, que invadia as ruas da vizinhança, com o tempo foi despertando a curiosidade e encantando a todos, que acabaram se entregando a este prazer e experimentando uma nova forma de ver o mundo.

Acredito que o filme tenha tudo a ver com a Páscoa, não somente por conta do chocolate, mas, principalmente, pela mensagem que ele traz. No final das contas, toda a comunidade foi capaz de refletir, aprender a não julgar os outros, aceitar as diferenças, perdoar e renascer, completando a passagem e o aprendizado necessários para evoluir e seguir em frente.

Ao contrário do fictício vilarejo onde se passa o filme, St. Rémy é cheia de vida e cor. Seus habitantes são gentis e hospitaleiros. Em suas ruelas, muitos restaurantes, galerias de arte, lojas de artesanato e decoração nos convidam a esquecer o relógio e desfrutar o momento, como se não houvesse amanhã.

Desejo a todos uma Feliz Páscoa, repleta de alegria e chocolate!

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Girassóis em Provence

Um dos meus sonhos era encontrar um campo cheio de girassóis.

Perambulando pela Toscana, em Abril de 2007, vi num calendário uma fotografia de um campo de girassóis com a legenda: Castello di Frosini. Não deu outra, colocamos no GPS e para lá fomos!

Como é primavera, pensei, com certeza esse castelo vai estar abarrotado de girassóis. Só que não. Chegando lá, havia apenas mato e um simples castelo. Nessa tentativa frustrada, descobrimos que o girassol só dá o ar da graça no verão.

A realização desse sonho só aconteceria 7 anos depois.

Eu e o Mau estávamos planejando uma viagem pela França, quando me lembrei dos girassóis.

Já tinha aprendido a lição e sabia que tínhamos que viajar no verão. Então, comecei a pesquisar em sites, blogs e revistas qual o destino certo para encontrá-los nessa época. Resultado: Provence, a bela e magnífica, Provence.

Cada uma dessas fontes indicava uma ruela ou cidadezinha diferente. Novamente utilizamos nosso amado GPS e, na dúvida, fomos parando em cada uma delas, seguindo todas as dicas, e nada de girassol, N-A-D-A.

Já estava ficando decepcionada, quando, de repente, numa piscada de olhos, lá estavam eles, num pequeno trecho da rodovia D-543, sentido Lourmarin-Rognes, bem pertinho do Canal de Marseille.

Lindos, amarelos, imponentes, cheios de vida e alegria, os girassóis ocupavam uns 500m da estradinha, apenas de um dos lados da pista. Se eu estivesse distraída, eles passariam despercebidos.

Não sei se foi sorte ou destino, mas, sem dúvida, foi um dia muito feliz!