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Um segredo bem guardado

O segredo mais bem guardado da ilha – dizia a indicação do guia de viagem.

Ficamos intrigados com a descrição e boas referências do restaurante e já o incluímos na lista de “must go” da Grécia, quando começamos a planejar nossa viagem.

Localizado ao norte de Mykonos, na praia de Agios Sostis, Kiki´s Tavern é um restaurante que poderia passar facilmente despercebido, se não fosse pela fila de pessoas do lado de fora, esperando por uma mesa.

Já faz alguns anos que fomos para lá, mas, na época, lembro que não encontramos o endereço na internet e não havia nenhuma sinalização ou placa indicando sua localização. Apenas colocamos o nome da praia no GPS e seguimos para lá.

Rodamos pelas redondezas, parando em cada ruazinha e perguntando aos moradores e turistas se conheciam o restaurante. Não sei se realmente ele devia ser mantido em segredo, mas o engraçado é que a maioria das pessoas dizia que não o conhecia, ou respondia alguma coisa em grego, o que, definitivamente, não ajudava muito.

De repente, avistamos um cantinho cheio de gente na frente. Só poderia ser ali. Estacionamos o carro um pouco adiante, pois não havia vagas. Chegando lá, perguntamos para uma pessoa na fila se ali era o famoso Kiki´s e a resposta afirmativa, acompanhada de um sorriso no rosto, confirmou o que tanto esperávamos. Finalmente havíamos chegado!

Enquanto esperávamos pela nossa mesa, pedimos um vinho branco da casa, geladinho e refrescante, perfeito para amansar o calor do verão.

O restaurante de estilo rústico e casual, tem poucas mesas, que ficam sob um telhado de madeira vazado e entrelaçado por plantas trepadeiras e, ainda, conta com uma vista estonteante da pequena praia de Agios Sostis.

Especializado em comida grega e frutos do mar, no Kiki´s os pratos são preparados na brasa e servidos com a simpatia e a alegria que só os gregos têm. Seguimos a recomendação do guia à risca e pedimos lula grelhada e peito de frango recheado com queijo feta e tomate seco. Simplesmente imperdíveis.

Depois de almoçar com esta vista privilegiada, o melhor a fazer é descer a trilha que dá acesso à praia, dar um mergulho no mar, estender sua canga e relaxar.

Obs.: peço desculpas à tradição local, mas me senti na obrigação de compartilhar esse segredo com você!

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O vilarejo de St. Rémy

Quando cheguei à pequena Saint-Rémy-de-Provence, avistei a charmosa Joël Durand Chocolatier.

Ao entrar na loja, o cheiro de chocolate tomou conta do ar. Aromas de laranja, mel, lavanda, pimenta, canela e outras especiarias instigavam os sentidos. Joël, que cuida pessoalmente da “chocolateria”, desenvolveu um alfabeto de sabores, onde cada bombom leva uma letra e cada sabor possui uma história. Todos os que experimentei eram D-E-L-I-C-I-O-S-O-S. Recomendo muito!

Logo me lembrei do antigo e adorável filme “Chocolat”, estrelado por Juliette Binoche (Vianne) e outros grandes atores. Ele conta a história de mãe e filha, nômades e ateias, que chegam a um vilarejo tranquilo na França e resolvem abrir uma loja de chocolates em plena Quaresma.

Por se tratar de um período de abstinência, os religiosos mais conservadores do tranquilo vilarejo ficam horrorizados, pois consideram um momento inoportuno para abrir o comércio e, de forma preconceituosa, evitam qualquer contato com as novas moradoras com intuito de boicotar o negócio.

Por herança de seus ancestrais, Vianne acreditava que o cacau, além de possuir propriedades medicinais de cura, tinha o poder de libertar desejos e revelar o destino das pessoas. Por isso, preparava tudo com tanta paixão e dedicação.

O aroma do chocolate, que invadia as ruas da vizinhança, com o tempo foi despertando a curiosidade e encantando a todos, que acabaram se entregando a este prazer e experimentando uma nova forma de ver o mundo.

Acredito que o filme tenha tudo a ver com a Páscoa, não somente por conta do chocolate, mas, principalmente, pela mensagem que ele traz. No final das contas, toda a comunidade foi capaz de refletir, aprender a não julgar os outros, aceitar as diferenças, perdoar e renascer, completando a passagem e o aprendizado necessários para evoluir e seguir em frente.

Ao contrário do fictício vilarejo onde se passa o filme, St. Rémy é cheia de vida e cor. Seus habitantes são gentis e hospitaleiros. Em suas ruelas, muitos restaurantes, galerias de arte, lojas de artesanato e decoração nos convidam a esquecer o relógio e desfrutar o momento, como se não houvesse amanhã.

Desejo a todos uma Feliz Páscoa, repleta de alegria e chocolate!

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Vinho com chocolate. Pode isso?

Não só pode como deve.

Talvez algumas pessoas que tenham enxaqueca (eu sou uma delas) possam discordar, por considerar essa combinação fatal para desencadear uma crise. Talvez, vocês possam mudar de ideia e se divertir um bocado com isso!

Minha sugestão é que você procure viver essa experiência sensorial pelo menos uma vez na vida. São aromas, sensações e sabores que se misturam e se completam.

Fomos pegos de surpresa quando a guia que contratamos em Cape Town, África do Sul, nos sugeriu uma degustação de vinhos e chocolates. Normalmente, fazemos harmonização com queijos, certo? Mas quem disse que essa outra combinação não é interessante?

Resolvemos experimentar e seguimos para Lanzerac Wine State, que fica a alguns minutos de carro da charmosa cidade de Stellenbosch, localizada a aproximadamente 50 km de Cape Town.

Visitamos outros lugares mais rústicos anteriormente (e igualmente intrigantes), mas o Lanzerac tem um apelo mais comercial que encanta, não somente pela estrutura, charme e elegância de suas instalações e staff, mas também pela qualidade de seus vinhos.

Dentre as opções, escolhemos a chamada “Premium Tasting”, que é a degustação de 5 vinhos da linha que leva o mesmo nome, com as seguintes uvas: Sauvignon Blanc, Chardonnay, Merlot, Pinotage e Cabernet Sauvignon. Primeiramente, degustamos somente os vinhos.

O primeiro deles, o Sauvignon Blanc, com aroma bem tropical e sabor de abacaxi, era um vinho bem equilibrado. O segundo, um Chardonnay, repousado em barril de carvalho, tinha aroma predominantemente cítrico, mas com notas de baunilha. O terceiro foi o Merlot, e sentimos um aroma de chocolate. O melhor de todos, na minha opinião foi o Pinotage, um vinho de personalidade, que nasceu da combinação de duas uvas na África do Sul. Com aroma de ameixa e frutas pretas, ele é mais encorpado e marcante. Por último, degustamos o Cabernet Sauvignon, com um final de boca mais longo e aroma de amêndoas.

É claro que durante a degustação, demos os nossos palpites, nem sempre certeiros, mas um sommelier nos explicou as características principais presentes em cada um dos vinhos provados.

Depois, nos deixou à vontade para repetirmos a degustação, só que dessa vez, com os chocolates. Os vinhos brancos foram acompanhados de chocolate branco, com sabor de frutas e lima limão. O Merlot foi combinado com um chocolate amargo. O Pinotage, com um bombom de chocolate amargo e cereja (sim, o paraíso existe) e, por sua vez, o chocolate ao leite fez companhia ao Cabernet Sauvignon.

Aqueles vinhos que ficamos na dúvida, quando degustados sozinhos, ficaram com sabores evidentes com os chocolates, pedindo aplausos. Foi incrível sentir como o sabor dos vinhos se alterava e se intensificava com a presença do chocolate. Uma verdadeira explosão de sabores!

E você, está esperando o que para experimentar?

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A culinária digna dos Deuses

Não foi difícil escolher o destino da nossa lua de mel.

A Grécia sempre foi uma certeza para nós. Difícil foi não se apaixonar pelas experiências gastronômicas que tivemos por lá. Algumas delas vou contar para vocês hoje.

Na primeira noite em Atenas, por indicação de um amigo, fomos jantar no Dionysos. Fique atento à localização, pois estabelecimentos com este nome são bem comuns em diversas cidades gregas. Estou falando do Dionysos Zonar´s.

O restaurante, além de servir pratos extremamente bem preparados, tipicamente mediterrâneos, tem atendimento impecável e uma vista privilegiada da Acrópole, que fica ainda mais bela e suntuosa, iluminada à noite.

De entrada, nossa escolha foi queijo de cabra e ervas aromáticas, com seu sabor forte e marcante. Os pratos principais foram moussaka (lasanha de berinjela) e risoto de cogumelos, ambos divinos.  Para acompanhar, pedimos um vinho tinto produzido com a uva grega Agiorgitiko. Vale à pena!

Na manhã seguinte, conhecemos um casal de brasileiros, hospedados no mesmo hotel e também em lua de mel. Foi empatia instantânea e já combinamos de fazer todos os passeios juntos. A sintonia foi tanta que tentamos até conciliar o próximo destinos da viagem, já que iríamos para Santorini primeiro, e eles para Mykonos, mas acabamos não conseguindo.

Visitamos as principais atrações da capital do berço da civilização, democracia e filosofia, depois paramos em uma pracinha para almoçar.

Tudo no cardápio parecia delicioso e a nossa pedida foi a famosa salada grega com  queijo feta (bem clichê mesmo) e um saganaki – queijo frito, com páprica, limão siciliano e tomates frescos. Só de olhar para essa foto consigo me lembrar do sabor de cada tempero e fico com água na boca.

Meu sacrilégio foi demorar tempo demais para descobrir o tzatziki, um molho à base de iogurte, pepino, alho e dill. Para ser sincera, eu nunca fui muito fã de iogurte, por isso demorei a experimentar, mas depois que provei, ele se tornou meu companheiro inseparável, pois combina com tudo e é muito refrescante.

A culinária grega vai além da necessidade fisiológica de se alimentar. O que a torna especial é saboreá-la em meio à beleza, à história, à tradição. Alimentos extremamente frescos, suculentos e saborosos, que têm o poder de nos deixar com gostinho de quero mais.

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Girassóis em Provence

Um dos meus sonhos era encontrar um campo cheio de girassóis.

Perambulando pela Toscana, em Abril de 2007, vi num calendário uma fotografia de um campo de girassóis com a legenda: Castello di Frosini. Não deu outra, colocamos no GPS e para lá fomos!

Como é primavera, pensei, com certeza esse castelo vai estar abarrotado de girassóis. Só que não. Chegando lá, havia apenas mato e um simples castelo. Nessa tentativa frustrada, descobrimos que o girassol só dá o ar da graça no verão.

A realização desse sonho só aconteceria 7 anos depois.

Eu e o Mau estávamos planejando uma viagem pela França, quando me lembrei dos girassóis.

Já tinha aprendido a lição e sabia que tínhamos que viajar no verão. Então, comecei a pesquisar em sites, blogs e revistas qual o destino certo para encontrá-los nessa época. Resultado: Provence, a bela e magnífica, Provence.

Cada uma dessas fontes indicava uma ruela ou cidadezinha diferente. Novamente utilizamos nosso amado GPS e, na dúvida, fomos parando em cada uma delas, seguindo todas as dicas, e nada de girassol, N-A-D-A.

Já estava ficando decepcionada, quando, de repente, numa piscada de olhos, lá estavam eles, num pequeno trecho da rodovia D-543, sentido Lourmarin-Rognes, bem pertinho do Canal de Marseille.

Lindos, amarelos, imponentes, cheios de vida e alegria, os girassóis ocupavam uns 500m da estradinha, apenas de um dos lados da pista. Se eu estivesse distraída, eles passariam despercebidos.

Não sei se foi sorte ou destino, mas, sem dúvida, foi um dia muito feliz!

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Zanzibar: de filtro, só o solar!

A chegada em Zanzibar é, no mínimo, impactante. Em todos os sentidos.

Da janela do avião, é impossível não se impressionar com o azul intenso do Oceano Índico. Sem dúvida, um dos mais lindos que já vi.

Saindo do avião, temperatura por volta de 40 graus e um sol de rachar. Ainda bem que levamos filtro solar!

O aeroporto tem pouca estrutura. As malas são empilhadas no chão mesmo, uma em cima das outras. O ar condicionado capenga não dá conta e a desorganização reina. Finalmente, pegamos nossas malas e passamos pela alfândega. Não víamos a hora de chegar no hotel.

Eu e meu marido, Mauricio, não havíamos contratado transfer do aeroporto para o hotel, já que o plano era alugar um carro e dar a volta na ilha, de ponta a ponta. Para nossa surpresa, não existia nenhuma empresa de locação de veículos, mas um bando de locais falando meio swahili-meio inglês, tentando “oferecer” serviço de motorista particular ou nos empurrar um carro velho. Não havia taxis.

Depois de alguns minutos aflitivos, sem conseguir falar com o hotel, arriscamos e “contratamos” um motorista, que dirigiu como um louco por uma estrada esburacada e nos cobrou 100 dólares pela aventura. Foi assim que descobrimos que lá não existe uma avenida à beira mar, nem sinalização.

Fizemos o check in no hotel e logo nos deparamos com um presente maravilhoso da natureza, que nos fez esquecer todo o perrengue que passamos e simplesmente agradecer por estarmos ali.

Era o incrível pôr-do-sol da praia de Nungwi, sem filtros, aguardando nossa chegada para ser contemplado.

 

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Sob o Sol da Toscana

Eu não poderia começar a escrever sobre outro lugar, que não a Toscana.

Tudo começou há mais de 10 anos, quando assisti ao filme Sob o Sol da Toscana pela primeira vez.

Ele conta a história da escritora Frances Mayes que, após um divórcio inesperado e doloroso, ganha de uma amiga uma viagem pela Toscana. Ela embarca sozinha numa aventura que muda sua vida completamente, quando resolve comprar e morar numa casa em Bramasole. A partir daí, acaba fazendo amizades, descobrindo prazeres e experiências com as quais jamais havia sonhado.

Esta comédia romântica leve e gostosa despertou em mim a vontade de viajar, experimentar novos sabores, desbravar o mundo e conhecer novas culturas. Foi assim que comecei a planejar a minha primeira viagem e o destino não poderia ser outro: a belíssima, Itália.

Em 2007, eu e meu marido (na época, namorado) fizemos um roteiro de 15 dias dirigindo pelo País, mais de 2.000 km rodados, delícias gastronômicas e muitas paisagens de tirar o fôlego, como esta da foto. Deu vontade de largar tudo por aqui e morar numa casinha de pedra, cheia de flores e ciprestes, no meio do nada, onde o vizinho mais próximo está a perder de vista…

Ao longo dos últimos anos, confesso que assisti ao filme incansáveis vezes, me transportando mentalmente para aqueles lugares maravilhosos. Afinal, acho que é esse poder que a Itália tem, de deixar saudade e nos fazer pensar em quando iremos nos perder por suas paisagens exuberantes novamente!