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Route des Grands Crus

Não sou uma profunda conhecedora de vinhos, mas sem dúvida sou uma grande apreciadora e, sempre que posso, estou com uma taça à mão.

Essa paixão começou há uns dez anos, quando eu e o Mau fizemos nossa primeira viagem pela Toscana, meca dos vinhos italianos. Passear pelas vinícolas e provar o vinho produzido ali, na terra que você está pisando, é uma experiência singular e imperdível.

Se não me engano, foi mais ou menos na mesma época que estreou o filme A Good Year, que conta a história de um garoto chamado Max, que sempre passava as férias no vinhedo de seu tio, na França. Muitos anos se passaram e Max, interpretado por Russel Crowe, se tornou um investidor workaholic, aficionado por bens materiais e totalmente desconectado da família. Ele recebe uma carta com a notícia de que seu tio faleceu e deixou para ele de herança a casa em que passou sua infância. Decidido a ir para França e vender a casa, a história toma outro rumo, quando Max entra em contato com doces lembranças de seu passado, de sua história. Então, ele relembra quem realmente é e volta a dar valor aos simples momentos que, verdadeiramente, o fazem feliz.

O filme despertou em mim a vontade de conhecer a França, mas há dez anos ela era apenas mais um país na minha longa lista de desejos. Então, ao longo dos anos, fiz um curso de vinho aqui, outro ali, vim treinando meu paladar, convencendo o maridão a apreciar um bom vinho (e não só cerveja), até que resolvemos incluir a rota dos vinhos no nosso destino.

IMG_7243Passamos um dia pela Route des Grands Crus, como é chamado o percurso de cerca de 50 km de uma charmosa estradinha que passa entre vilarejos, com diversas vinícolas, onde encontramos os melhores vinhos da região de Borgonha, em especial feitos das uvas Pinot Noir e Chardonnay.

A primeira vinícola que visitamos foi a Chateau de Marsannay. Ao longo do caminho, fomos parando em muitas outras. A maioria delas, tem um espaço que conta a história do terroir, da família dos produtores e do processo de vinificação. Após um tour pelas caves frias, úmidas e um pouco claustrofóbicas, algumas oferecem degustação gratuita de seus vinhos, mas a maioria é paga, e vale muito à pena. No final, você pode comprar os vinhos de sua preferência e rechear sua mala. É simplesmente maravilhoso!

IMG_7252Descobrimos o endereço da Domaine de la Romanée Conti, considerado o vinho mais excepcional de Borgonha e aclamado pelos maiores enólogos. Não tenho paladar apurado para julgar, mas sei que é um dos vinhos mais caros do mundo e queria de qualquer jeito conhecer o lugar que produzia essa raridade e, por que não, degustar um. Paramos em frente aos portões fechados com as iniciais RC. Tocamos a campainha e soltei uma ou duas frases em francês, tentando ser simpática, mas não funcionou. Perguntamos em inglês se podíamos fazer uma visita e o (nada amigável) senhor que nos atendeu fingiu que não era com ele, dizendo que ali não era o lugar que estávamos procurando. Parecia uma coisa sigilosa, onde você só entra com senha, ou se acertar a palavra chave do dia, sabe? Meio James Bond. Enfim, fomos embora, com a certeza de que, por aqueles portões, somente convidados renomados podem adentrar.

Seguimos pela estrada, vimos paisagens belíssimas e encantadoras, degustamos vinhos fantásticos, tiramos centenas de milhares de fotos e tivemos uma certeza: um dia é pouco. Mas essa experiência não para por aqui. Continue acompanhando o blog, pois em breve contarei mais um pouco dessa história e desse lugar tão especial que é a Borgonha.

Que tal um bom vinho agora para finalizar com chave de ouro? Me acompanha?! ;o)

 

 

 

 

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Vinho com chocolate. Pode isso?

Não só pode como deve.

Talvez algumas pessoas que tenham enxaqueca (eu sou uma delas) possam discordar, por considerar essa combinação fatal para desencadear uma crise. Talvez, vocês possam mudar de ideia e se divertir um bocado com isso!

Minha sugestão é que você procure viver essa experiência sensorial pelo menos uma vez na vida. São aromas, sensações e sabores que se misturam e se completam.

Fomos pegos de surpresa quando a guia que contratamos em Cape Town, África do Sul, nos sugeriu uma degustação de vinhos e chocolates. Normalmente, fazemos harmonização com queijos, certo? Mas quem disse que essa outra combinação não é interessante?

Resolvemos experimentar e seguimos para Lanzerac Wine State, que fica a alguns minutos de carro da charmosa cidade de Stellenbosch, localizada a aproximadamente 50 km de Cape Town.

Visitamos outros lugares mais rústicos anteriormente (e igualmente intrigantes), mas o Lanzerac tem um apelo mais comercial que encanta, não somente pela estrutura, charme e elegância de suas instalações e staff, mas também pela qualidade de seus vinhos.

Dentre as opções, escolhemos a chamada “Premium Tasting”, que é a degustação de 5 vinhos da linha que leva o mesmo nome, com as seguintes uvas: Sauvignon Blanc, Chardonnay, Merlot, Pinotage e Cabernet Sauvignon. Primeiramente, degustamos somente os vinhos.

O primeiro deles, o Sauvignon Blanc, com aroma bem tropical e sabor de abacaxi, era um vinho bem equilibrado. O segundo, um Chardonnay, repousado em barril de carvalho, tinha aroma predominantemente cítrico, mas com notas de baunilha. O terceiro foi o Merlot, e sentimos um aroma de chocolate. O melhor de todos, na minha opinião foi o Pinotage, um vinho de personalidade, que nasceu da combinação de duas uvas na África do Sul. Com aroma de ameixa e frutas pretas, ele é mais encorpado e marcante. Por último, degustamos o Cabernet Sauvignon, com um final de boca mais longo e aroma de amêndoas.

É claro que durante a degustação, demos os nossos palpites, nem sempre certeiros, mas um sommelier nos explicou as características principais presentes em cada um dos vinhos provados.

Depois, nos deixou à vontade para repetirmos a degustação, só que dessa vez, com os chocolates. Os vinhos brancos foram acompanhados de chocolate branco, com sabor de frutas e lima limão. O Merlot foi combinado com um chocolate amargo. O Pinotage, com um bombom de chocolate amargo e cereja (sim, o paraíso existe) e, por sua vez, o chocolate ao leite fez companhia ao Cabernet Sauvignon.

Aqueles vinhos que ficamos na dúvida, quando degustados sozinhos, ficaram com sabores evidentes com os chocolates, pedindo aplausos. Foi incrível sentir como o sabor dos vinhos se alterava e se intensificava com a presença do chocolate. Uma verdadeira explosão de sabores!

E você, está esperando o que para experimentar?

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A culinária digna dos Deuses

Não foi difícil escolher o destino da nossa lua de mel.

A Grécia sempre foi uma certeza para nós. Difícil foi não se apaixonar pelas experiências gastronômicas que tivemos por lá. Algumas delas vou contar para vocês hoje.

Na primeira noite em Atenas, por indicação de um amigo, fomos jantar no Dionysos. Fique atento à localização, pois estabelecimentos com este nome são bem comuns em diversas cidades gregas. Estou falando do Dionysos Zonar´s.

O restaurante, além de servir pratos extremamente bem preparados, tipicamente mediterrâneos, tem atendimento impecável e uma vista privilegiada da Acrópole, que fica ainda mais bela e suntuosa, iluminada à noite.

De entrada, nossa escolha foi queijo de cabra e ervas aromáticas, com seu sabor forte e marcante. Os pratos principais foram moussaka (lasanha de berinjela) e risoto de cogumelos, ambos divinos.  Para acompanhar, pedimos um vinho tinto produzido com a uva grega Agiorgitiko. Vale à pena!

Na manhã seguinte, conhecemos um casal de brasileiros, hospedados no mesmo hotel e também em lua de mel. Foi empatia instantânea e já combinamos de fazer todos os passeios juntos. A sintonia foi tanta que tentamos até conciliar o próximo destinos da viagem, já que iríamos para Santorini primeiro, e eles para Mykonos, mas acabamos não conseguindo.

Visitamos as principais atrações da capital do berço da civilização, democracia e filosofia, depois paramos em uma pracinha para almoçar.

Tudo no cardápio parecia delicioso e a nossa pedida foi a famosa salada grega com  queijo feta (bem clichê mesmo) e um saganaki – queijo frito, com páprica, limão siciliano e tomates frescos. Só de olhar para essa foto consigo me lembrar do sabor de cada tempero e fico com água na boca.

Meu sacrilégio foi demorar tempo demais para descobrir o tzatziki, um molho à base de iogurte, pepino, alho e dill. Para ser sincera, eu nunca fui muito fã de iogurte, por isso demorei a experimentar, mas depois que provei, ele se tornou meu companheiro inseparável, pois combina com tudo e é muito refrescante.

A culinária grega vai além da necessidade fisiológica de se alimentar. O que a torna especial é saboreá-la em meio à beleza, à história, à tradição. Alimentos extremamente frescos, suculentos e saborosos, que têm o poder de nos deixar com gostinho de quero mais.