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Valle Nevado. Vale?

Lembra daquele casal que comentei no post sobre Santiago? Pois é, foi graças aquele encontro casual que resolvemos incluir o Valle Nevado no nosso roteiro e iniciamos uma boa amizade. Naquele dia, combinamos de fazer o passeio juntos para resolver o dilema “os homens querem fazer snowboard e as mulheres não”.

Contratamos um guia/motorista super gente boa para nos levar até lá, o Pablo, indicado pela recepção do hotel Marriot, onde nossos amigos estavam hospedados. Ele conhece a região e o país como a palma da mão e nos deu uma aula sobre economia, política e cultura locais.

A estradinha que nos leva da capital ao topo do Valle Nevado é conhecida e temida por suas curvas fechadas “estilo cotovelo”. Ao todo são 60. Por isso, a primeira dica é: não exagere no café da manhã ou sofrerá as consequências…rs. Outra dica importante é deixar ao menos um dos vidros do carro aberto. Parece que isso ameniza um pouco os efeitos da altitude. Ah, e pare no mirador da curva 32 para tirar uma bela foto!

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Mau, pronto para surfar na neve!

Mesmo quem não vai fazer ski ou snowboard deve alugar botas apropriadas para neve. Se quiser pagar mais barato pelo aluguel dos apetrechos, uma boa pedida é a loja à beira da estrada que nos leva ao Valle. Só não espere grandes demonstrações de cordialidade nesse lugar. Pense num espaço pequeno, pouco organizado e cheio de gente experimentando coisas ao mesmo tempo. É isso aí, uma zona! Já as pranchas de snow, alugamos no complexo do próprio Valle Nevado. Lá sim, você vê organização, equipamentos novos e cheios de estilo, mas também vê preços bem mais salgados…

 

img_7033Chegando lá, compramos os tickets e subimos pelo teleférico até o topo das montanhas. Meu marido parecia uma criança chegando no parque de diversão pela primeira vez. Ele e o Alexandre foram fazer uma aula para principiantes e, minutos depois, já mandaram ver na pista. Enquanto isso, eu e a Simone ficamos apreciando a paisagem e dando risada dos capotes alheios. Nem sei dizer quantas vezes o Mau subiu naquele teleférico e desceu pelas montanhas, mas vê-lo feliz daquele jeito, me encheu de alegria e tive a certeza de que o passeio valeu demais à pena!

Estávamos em setembro, já no fim do inverno, mas as montanhas ainda estavam cobertas de neve. Foi o branco mais branco que já vi, envolvendo boa parte da Cordilheira. Parecia que não existia nada entre mim e o céu. Era como se eu pudesse esticar minha mão e alcança-lo. Que coisa linda de se ver! Amei.

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Por isso, minha sugestão é: mesmo se você não curtir ski ou snow, não deixe de ir. Leve uma garrafa de vinho, queijos e petiscos e faça um piquenique na neve, se for o caso, mas vá. A vista é tão impressionante e linda, que merece ser contemplada.

Afinal, o Valle Nevado vale sim. E muito ❤

Pablo Dahud – motorista/guia

+56 9 91391283

pablodahud@gmail.com

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A vinícola mais linda que já vi

Se você for para o Chile e quiser fugir um pouco das vinícolas mais comerciais e turísticas, uma boa ideia é fazer uma visita à Viña Errazuriz, que fica na cidade de San Felipe, Vale Aconcagua.

Eu e o Mau estávamos em Santiago, ansiosos pela chegada de um casal muito querido para começar a segunda etapa da viagem: as viñas. Buscamos a Joyce e o Alexei no aeroporto e seguimos para San Felipe, a 100 km da capital chilena.

img_1166A paisagem que vimos no caminho até a vinícola é simplesmente linda. Aquele céu azul, a Cordilheira dos Andes ao fundo, a neve sendo derretida pelo sol, anunciando o fim do inverno, são de tirar o fôlego.

Chegando lá, fomos recebidos por uma vista incrível. Espelhos d’água te guiam para a casa principal. Árvores, flores e muitas plantas estão lindamente posicionadas por toda a propriedade. As montanhas ao fundo e o resto do espaço preenchido com parreiras. É praticamente uma obra de arte!

Como não tínhamos feito reserva e chegamos lá no fim da tarde, infelizmente não conseguimos fazer o tour com as degustações, mas não perdemos a viagem. Compramos uma garrafa do The Blend Collection, um assemblage das uvas Grenache, Syrah, Mourvèdre e Carignan (delicioso) e degustamos no espaço com vista para o jardim. Um cheirinho suave, parecido com o perfume da dama da noite, e o som da fonte no jardim eram o convite que precisávamos para fazermos tudo isso sem a menor pressa.

img_1183Nem me lembro quantas vinícolas já visitamos nessa vida, mas a Errazuriz foi a que mais nos impressionou. É um lugar que traz um ar de despreocupação, como se fosse possível parar o tempo por alguns instantes, sabe? Muito especial. Queria ter passado mais tempo lá…

Bem que a minha prima falou que era um passeio imperdível. Obrigada pela dica, Pri ❤

Viña Errazuriz

Calle Chorrillos 21, San Felipe, Chile

www.errazuriz.com

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Embalse el Yeso, deslumbrante.

Foi pela dica de um amigo que descobri a existência dessa maravilha.

Embalse el Yeso é um reservatório de água que fica aos pés da Cordilheira dos Andes, a mais de 2500 m de altitude e é uma das principais fontes de abastecimento de água potável de Santiago. Fica a aproximadamente 100km da capital chilena e a 50km da cidade de San Jose de Maipo, onde nos hospedamos por uma noite, apenas para fazer o tour.

Pesquisei bastante em sites e blogs e li de tudo um pouco. Algumas pessoas dizendo que foram até lá de táxi ou carro alugado, sem problemas. Outros relatos assustadores, dizendo ser extremamente perigoso e imprudente ir por conta própria, algumas agências cobrando mais de 90.000 CLP o casal (aprox. R$ 450) para realizar o tour e outras que não faziam o passeio durante o inverno. Fiquei na dúvida e não sabia o que fazer.

Enfim, nossa sorte foi conhecer, dias antes, um casal no Valle Nevado que tinha alugado um carro e ido por conta própria até Embalse el Yeso. Eles disseram que a estrada tinha muitas curvas sim, mas que era tranquila e estava sem neve. Aliviados, decidimos fazer o mesmo e não nos arrependemos.

Fizemos o passeio no dia 09 de setembro. No caminho, passamos pelo misterioso túnel Tinoco, que fazia parte do sistema ferroviário há muitos anos e hoje está desativado. Em 1998, um jovem chamado Willy, que sofria de depressão, se suicidou no interior do túnel. Há quem atravesse a escuridão de seus 600 metros de extensão para chegar ao santuário de cata-ventos feito para homenagear Willy, mas é preciso ter coragem. Segundo seus pais, ele se comunica através do vento, por isso, muitos visitantes levam cata-ventos como oferenda e fazem pedidos ao passar por ali. Mais à frente, passamos por Las Cascaras, um refúgio militar abandonado, sujo e detonado, sem qualquer atrativo. Dá pra passar batido.

Uma hora e meia depois de percorrer lentamente, em meio à zona vulcânica, um caminho sinuoso e repleto de curvas perigosas, a gente chega e se depara com essa vista deslumbrante, de tirar o fôlego e, então, tem a certeza de que tudo valeu à pena.

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Lá em cima não tem nenhuma infra, por isso é importante levar água e algo para comer. Muitas pessoas fazem piquenique, levam queijos, vinhos. Até churrasquinho nós vimos por ali. Na minha humilde opinião, me dei por satisfeita por apenas parar e contemplar a beleza do lugar, sem distrações. Nem mesmo uma fotografia é capaz de traduzir a grandeza e a energia do momento. Acreditem.

Acho que até para os mais céticos, vendo um espetáculo da natureza como esse, que mais parece uma aquarela, é difícil não acreditar em algo maior. Presenciar o encontro das nuvens do céu com a neve do topo da Cordilheira, o reflexo dessa imagem no lago, realmente é um presente. Tive a impressão de estar bem pertinho de Deus.

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Gratidão!