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O fim da aventura na selva

Fazer um safari desperta em cada um de nós a vontade de desbravar a extensa selva, na busca incessante pelas nossas presas.

Com o passar dos dias, aprendemos a exercitar nosso poder de concentração e percepção. Nossos sentidos tornam-se mais aguçados e passamos a ajustar nossa visão, audição e olfato, com o intuito de não deixar passar um único detalhe.

É nesse momento que nos tornamos caçadores.

Naquela manhã, passamos por uma família de hipopótamos que brincavam uns com os outros, submersos na água. Dizem que eles ficam lá o dia inteiro.

Às vezes nos deparamos com certas coisas que nos chocam um pouco, como carcaça e ossos de uma girafa, morta há algum tempo por um predador. Logo depois, uma boa surpresa, e muitas delas ao nosso redor.

Seguimos em frente e encontramos o 3º dos Big Five – o rinoceronte. O coitado, além de feio e desajeitado, ainda é perseguido por inúmeros caçadores, que os matam para roubar seu chifre, valioso como ouro no mercado negro.

Eles parecem inofensivos, desde que ninguém perturbe sua paz. Pelas primeiras fotos, dá para perceber que eles não estavam ligando muito para a nossa presença.

Mas, quando encontramos mãe e filhote mais adiante, a situação mudou de figura, já que a mãe nos viu como uma ameaça. Nesse instante, ela começou a nos encarar e raspar uma das patas no chão, se preparando para pegar impulso e correr em nossa direção. Meu coração quase saiu pela boca. Cristo colocou a ré e acelerou o jipe com força. Continuamos vivos – suspirei com alívio.

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Passado o susto e a taquicardia, seguimos com o nosso safari.

Nicholas encontrou pegadas e fezes de elefantes ainda quentes, que indicavam que eles estavam por perto. Demos umas voltas e paramos o jipe. No silêncio da mata, num momento de paz profunda, uma manada de elefantes passou bem nossa frente. Mais um check na lista – o 4º dos Big Five.

Procuramos pelo dos Big Five por toda parte, todos os dias e todas as noites, em cada canto da reserva.

Na última noite, ouvimos um uivado altíssimo de um waterbuck, que emite esse som quando se sente ameaçado e também para alertar os outros animais. Nesse momento, sabíamos que o leopardo estava lá, bem perto de nós, caçando. Rodeamos a área, encontramos o waterbuck, passamos das três horas de duração do safari procurando por ele, e nada. Ficamos um pouco frustrados, mas entendemos que o leopardo simplesmente não queria ser encontrado. Não nessa viagem.

Em nosso último safari, passamos por um local que estava cheirando muito mal. Foi, então, que encontramos uma zebra morta. Ela foi o jantar de um leão na noite anterior. Suas entranhas estavam à mostra, totalmente expostas, embrulhando nosso estômago instantaneamente. Um chacal aproveitava para fazer sua refeição antes que o predador voltasse. É chocante, mas a natureza é assim, vale a lei da sobrevivência.

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Depois de três dias de viagem, entendi que estava muito enganada ao pensar que seria cansativo fazer os 6 safaris. Se pudesse, passaria dia e noite sentada naquele jipe, sentido a energia daquele lugar. Com certeza, foi a melhor e mais emocionante experiência que já vivi.

Naquela manhã de Setembro, me despedi do Kapama com lágrimas nos olhos e um enorme sentimento de gratidão.

 

 

 

 

 

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A aventura continua

6h da manhã. Difícil traduzir em palavras a sensação de estar no meio da selva, totalmente exposta e a mercê da vida selvagem.

É um medo gostoso, um frio na barriga, acompanhado de um coração batendo acelerado. Não se pode prever o que vai acontecer. Tudo é inesperado. Absolutamente nada é planejado.

Esperávamos não nos deparar com algum animal faminto pelo caminho, mas o que nos movia mesmo era cumprir a nossa missão e encontrar os Big Five.

No início da nossa aventura, encontramos o 1º deles – o búfalo. Ele ficou nos encarando por um bom tempo. Fiquei imaginando como devia ser complicado dormir com aquele par de chifres. Deve ser por isso que eles têm esta cara de mal-humorado.

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Mais à frente, nos deparamos com um bando de “impalas”, mais conhecidos como bambis. Eles são naturalmente assustados e prontos para uma rápida fuga, já que fazem parte da cadeia alimentar de todos os outros grandes mamíferos.

As simpáticas girafas e zebras estavam por toda parte e, juntamente a outras espécies, davam um colorido especial à savana africana.

Quando olhamos no relógio, já passava das 9 da manhã e nosso safari matinal chegava ao fim. Nem vimos o tempo passar. Retornamos, tomamos um belo café da manhã e fomos aproveitar as instalações do hotel, já contando os minutos para o safari do fim da tarde.

Por volta das 17h nosso jipe partiu novamente.

De repente, poucos minutos depois, nosso ranger, Cristo, levou o indicador à boca e pediu silêncio. A excitação e o medo automaticamente dispararam nosso coração e a adrenalina correu a todo vapor. Lá estava ele: o 2º dos Big Five – o rei leão, vindo em nossa direção. Gelamos.

Ele passou do lado do nosso jipe. Tão perto que, se alguém estendesse o braço para fora, poderia tocar sua vasta juba. E continuou, com toda sua majestade, até encontrar duas lindas leoas que buscavam, a qualquer custo, chamar sua atenção. Ficamos um tempão criando mentalmente cenários, imaginando o que viria a seguir, o que ele faria com elas. No final das contas, ele as rodeou, soltou um rugido feroz, fez seu charme, deitou no chão e dormiu. Desoladas, as duas leoas fizeram o mesmo. Vai entender!

Antes do sol se pôr, paramos o jipe no meio da selva. O ranger e o tracker sacaram uma mesinha, onde colocaram petiscos e uma geladeira cheia de bebidas. Era hora dos sundowners drinks. Então, saboreando uma Savanna Dry e uma taça de vinho tinto, assistimos ao pôr do sol, com uma sensação de incrível liberdade.

Quando escurece, a única luz que existe na selva é a da lanterna do tracker, que fica sentado num banquinho para fora do jipe, iluminando as árvores ao nosso redor e rastreando os animais pelo som e pelo cheiro. Qualquer barulho pode significar uma ameaça e, por isso, temos que ficar sempre alertas.

Estávamos contemplando as tantas estrelas que preenchiam a imensidão do céu, quando nos demos conta de que nosso safari noturno também chegava ao fim.

Queríamos mais, muito mais. Afinal, ainda faltavam 3 dos Big Five.

Será que tivemos sorte e fomos bem-sucedidos em nossa missão?

Só há um jeito de descobrir….

 

 

 

 

 

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Aventura na selva – O início

Para comemorar nosso 5º aniversário de casamento, escolhemos um destino um tanto inusitado: África do Sul.

Na verdade, eu e o Mau sempre fomos fãs dos documentários sobre vida selvagem do canal Net Geo Wild, principalmente os que falam dos felinos e outros grandes mamíferos. Então, por que não deixar um pouco a TV de lado e ver tudo isso ao vivo?

Minha cunhada, Mariana, tinha passado um mês estudando na África do Sul e, como conheceu muitos lugares bacanas, nos deu várias dicas e recomendou que nos hospedássemos num dos hotéis do Kapama Private Game Reserve, localizado entre as montanhas de Drakensberg e o Kruger Park.

Nosso pacote no Kapama Karula nos dava a opção de fazer até dois safaris por dia, sendo um bem cedo e outro no final do dia, com duração de aproximadamente três horas cada. Como fechamos três diárias, poderíamos fazer até seis safaris na viagem.

Nossa! Não vamos aguentar fazer todos, deve ser muito cansativo – pensamos.

Nos enganamos. E muito. Você vai descobrir o porquê ao longo dos próximos posts.

Nosso aviãozinho que, para minha alegria não chegava a ser um “teco teco”, posou no aeroporto de Hoedspruit. A vontade de ver de perto tudo aquilo era tão grande, que meu coração disparou de ansiedade. Quando avistei o jipe que nos levaria até o hotel (sim, esse é o transfer) eu parecia uma criança que visita a Disney pela primeira vez, de tanta felicidade. Não conseguia conter a emoção de estar ali.

O Kapama fica, literalmente, do outro lado da rua do aeroporto. Assim que entramos na reserva, fomos recepcionados por uma girafa, que saiu da mata e passou bem em frente ao nosso jipe. Apesar de caminhar de forma meio desengonçada, ela era inegavelmente elegante e linda de viver. Eu não sabia se fotografava ou simplesmente ficava admirando sua beleza. Optei pela segunda alternativa, afinal, aquele era apenas o primeiro dia da viagem e muitas outras girafas cruzariam o nosso caminho.

Chegamos no Karula e fizemos nosso check in. O hotel em si é tão, mas tão incrível, que merece (e terá) um post exclusivo, dedicado somente a ele.

Às 5:30 da manhã o nosso ranger, Cristo, um guia com profundo conhecimento da vida na selva, nos despertou para um rápido café, pois a nossa aventura começaria às 6h em ponto.

Nosso tracker, Nicholas, especializado em rastrear os animais, já estava nos aguardando no jipe com bolsas de água quente e cobertores, mimos essenciais para nos aquecer nas primeiras horas frias da manhã.

E lá fomos eu, o Mau, um casal de brasileiros engraçadíssimos e duas alemãs (avó corajosa e neta medrosa), em busca dos famosos Big Five, os cinco mamíferos de grande porte mais difíceis de serem caçados pelo homem: leão, búfalo, elefante, rinoceronte e leopardo.

Quando o ranger deu a partida no motor do jipe, um mix de emoções se instalou em cada um de nós.

O que será que encontraríamos nas três horas seguintes?