Garibaldi é (re)conhecida como a capital brasileira do espumante e é lá que acontece anualmente a Fenachamp, Feira Nacional da Champanha. A cidade que abriga a Rota dos Espumantes foi colonizada basicamente por europeus, mas foram os imigrantes italianos que deixaram sua personalidade e cultura impressas por cada canto.
Quando decidimos conhecer o Vale dos Vinhedos, pesquisamos muitos hotéis na região e acabamos optando pelo Hotel Casacurta, que me pareceu muito mais interessante no que diz respeito à infraestrutura e preço. Ele fica a pouco mais de 10 km de Bento Gonçalves, mas é extremamente bem localizado. Ficamos hospedados lá por seis dias e gostamos muito da estadia!
O casarão inaugurado em 1953 tem estilo clássico, decoração elegante, quartos amplos e recém-reformados, orquídeas de todos os tipos dando um charme extra aos ambientes e um café da manhã delicioso. Além disso, o restaurante Hostaria Casacurta traz uma gastronomia bem atraente, uma vez que mistura a tradição das cozinhas italiana e gaúcha com um quê de sofisticação e muito sabor. Recomendo o salmão com crosta de gergelim e um bom vinho local para acompanhar. Aproveite e peça uma sugestão para o proprietário, Cesar Nicolini, que está sempre por ali com ótimas dicas e muitas histórias para compartilhar.
A primeira vinícola que visitamos na região foi a Don Laurindo. Seus vinhos são produzidos para consumo da própria família e apenas o excedente é comercializado, por isso a estrutura é bem enxuta. Na saída, você pode degustar dez rótulos e o valor cobrado na visita pode ser revertido em compras. Uma boa, né?
Demos um pulo na cidade de Farroupilha (39Km de Garibaldi) para conhecer a Casa Perini e ficamos bastante impressionados com o tamanho da estrutura que eles têm para produzir seus vinhos. O tour é conduzido por uma sommelier que conhece profundamente o assunto e explica com detalhes as diferentes técnicas de elaboração e processos de engarrafamento dos seus famosos e premiados espumantes. Se você é fã de bebidas mais adocicadas (não é o meu caso) experimente o moscatel, considerado o 5º melhor espumante do mundo. Gostamos bastante da experiência!
Também vale muito a pena fazer o tour guiado pela Peterlongo, uma das mais antigas e tradicionais vinícolas de Garibaldi, para compreender a riqueza e importância de seus mais de cem anos de história no Brasil. Ao final do passeio, uma bela degustação de espumantes, vinhos e sucos de uva nos deixam com gostinho de quero mais.
A melhor surpresa da viagem foi, sem dúvida, a vinícola Courmayeur. Chegamos lá de forma totalmente despretensiosa e resolvemos fazer uma degustação só de espumantes. Fomos atendidos pelo super simpático e atencioso Vani Simonaggio, que comanda também o La Fermata Bistrô.
Quando provei o Executive Extra Brut, simplesmente me APAIXONEI. Foi o MELHOR ESPUMANTE que provei em toda a viagem! ❤
Gostamos tanto que, no dia seguinte, voltamos lá e passamos a tarde inteira jogando conversa fora e bebendo baldes e baldes dessa delícia. Aliás, se você for fã de espumantes e de boa gastronomia, não deixe de provar as harmonizações preparadas pelo Chef Vani. Surpreenda-se também com os drinks inusitados de sua própria autoria. Tudo de bom!
Ai, agora bateu aquela vontade de voltar pra Serra Gaúcha… Já pode voltar? ;o)
Hotel Casacurta
http://www.hotelcasacurta.com.br
Don Laurindo
Peterlongo
Perini
Courmayeur/La Fermata Bistrô ❤
Av. Garibaldina, 32 – Garibaldi, RS


Viajar pelo Velho Mundo é se surpreender com paisagens inusitadas, belezas naturais desconhecidas e lugares cheios de histórias a serem relembradas. E, claro, castelos e mais castelos. O Mau é “o louco dos castelos”. Não pode ver um de longe, que quer conhecer. Foi o que aconteceu com este, em Evoramonte. Que nos proporcionou esta vista…
Chegando a Castelo de Vide fomos presenteados com um lindo pôr do sol. Escolhemos o Quinta das Lavandas, um hotel rural a alguns quilômetros do centro, para passar duas noites e explorar a região.

Na manhã seguinte, Teresa nos deu algumas dicas do que fazer na cidade. Começamos visitando o centro, bem pacato e tranquilo, como uma cidadezinha do interior. Na lojinha Sabores da Terra, provamos o doce boleima, uma receita judaica feita de pão sem fermento, maçã e canela. Só de lembrar, senti o sabor na minha boca. Se você for fã de doces, aproveite e experimente também o de castanhas portuguesas. Divino!
De lá, seguimos para as vinícolas. Em Estremoz e arredores visitamos três delas: Herdade das Servas, Dona Maria e Tapada do Chaves que havia sido comprada recentemente pela Fundação Eugénio de Almeida e estava em processo de inventário, por isso, apenas conhecemos as vinhas e o processo produtivo, mas não pudemos fazer degustação.
A vinícola Dona Maria, também conhecida como Quinta do Carmo, foi um presente de Dom João V a sua amante. Visitando a vinha você vai ficar sabendo de toda a história, mas vou te falar que a Dona Maria mandou bem, mostrou seu valor, porque o lugar é maravilhoso. A vinícola, o palácio e os jardins são impressionantes, além dos vinhos de excelente qualidade, como o Alicante Bouschet Júlio B. Bastos 2014 e o Dona Maria Grande Reserva Alentejo DOC 2012.
Para quem tem tempo de folga e aprecia um bom vinho, sugiro uma estada de 3 ou 4 dias para explorar a rota do vinho com mais calma. Existem dezenas de vinhas, umas mais, outras menos conhecidas. Não se prenda somente às grandes e turísticas. Há pequenos produtores fazendo vinhos muito bons, viu!? Lembre-se de fazer reserva para visita e prova de vinho com antecedência, pois os horários são bem concorridos (não importa a época do ano).
Começamos dando uma volta pela cidade, passamos pelo Templo de Diana, que estava sendo reformado e seguimos para a famosa Capela dos Ossos que, como o nome sugere, é inteirinha feita de ossos humanos. Sim, há caveiras por todos os lados. O lugar tem uma vibe esquisita, mas é parada obrigatória para quem visita Évora. Esse papo de morte nos fez pensar como a vida é passageira. Logo, decidimos aproveitar o que ela tem de melhor: comendo e bebendo bem!
Sendo assim, fomos direto para o Fialho, restaurante bem tradicional, famoso e lotado (é bom reservar). O garçom vai colocando todas as entradas na mesa e você escolhe o que vai comer. Fomos de queijo de ovelha, polvo, pimentão, bolinho de bacalhau…enfim, praticamente tudo. Pedimos Bochecha de Porco Preto e Borrego assado com batatinhas de prato principal. Para acompanhar, uma garrafa do Alicante Bouschet Reguengos de Monsaraz 2009. Tudo fantástico. De quebra, ainda conhecemos um casal nota dez (Tony e Denize) entre uma comilança e outra e batemos altos papos!
Para terminar o dia com chave de ouro, a tão esperada visita à Adega da Cartuxa (Fundação Eugênio de Almeida), produtora de um dos mais conceituados tintos de Portugal, o Pêra Manca, que você pode comprar pela bagatela de 194 euros. Para quem realmente tiver coragem de investir, cada pessoa pode comprar apenas uma garrafa desse vinho, tá? Infelizmente, ele não entra na degustação, o que não tira a graça de forma alguma, porque além de provar outros tintos e brancos deliciosos, também fazemos degustação dos azeites, que são incríveis. Nem preciso dizer que voltei com um na mala, né?
O restaurante chama-se O Bolas e fica na cidade de Azaruja. Quando paramos o carro na frente pensamos – putz, será? Vamos arriscar?Não havia uma alma na rua. O restaurante mais parecia um boteco, mas foi tão bem recomendado, que resolvemos experimentar.

É uma vinícola grande e, apesar de ser bem menos comercial do que a Concha Y Toro, por exemplo, ainda é voltada para o turismo, mas de uma maneira bem positiva. Ela é perfeita, seja para casais, viajantes solo ou famílias, pois sua estrutura permite as mais variadas experiências dentro de um mesmo local.
Durante um almoço no Rayuela Wine & Grill, você desfruta de um ambiente aconchegante e uma gastronomia a altura de toda a beleza dessa vinícola, regada a vinhos de ótima qualidade. O restaurante, que fica dentro da Viu Manent, é especializado em carnes grelhadas, mas todos os pratos que provamos estavam saborosíssimos (E sim, comemos um zoião no Chile…rs). É simplesmente imperdível. Nós fomos até lá por causa dele e só, então, tivemos a boa surpresa de descobrir a Viu Manent!

Há centenas de anos, quando não havia estudos geológicos avançados, os vinicultores perceberam que as mesmas uvas, plantadas em diferentes partes do terreno, tinham sabor diferente. Então, cada terroir foi demarcada e fechada com portões, que definiam a propriedade de cada um dos produtores. Os vinhos da região recebem o nome dessas vilas onde são produzidos e imprimem a personalidade de seu vinicultor, como se contassem um pouquinho de sua história.

A La Postolle produz vinhos orgânicos e biodinâmicos, isso quer dizer que todos os fatores envolvidos na produção (solo, plantas, humanos e animais) atuam num sistema holístico, harmonioso e autossustentável, preocupado não somente com a qualidade, mas também com a preservação da natureza e uso consciente de seus recursos. É um trabalho bem manual mesmo.


A paisagem que vimos no caminho até a vinícola é simplesmente linda. Aquele céu azul, a Cordilheira dos Andes ao fundo, a neve sendo derretida pelo sol, anunciando o fim do inverno, são de tirar o fôlego.
Nem me lembro quantas vinícolas já visitamos nessa vida, mas a Errazuriz foi a que mais nos impressionou. É um lugar que traz um ar de despreocupação, como se fosse possível parar o tempo por alguns instantes, sabe? Muito especial. Queria ter passado mais tempo lá…


Ao fundo uma piscina, local perfeito para se deliciar com uma tábua de queijos e algumas taças de vinho. Ah, para nossa alegria, o hotel dispõe daquelas máquinas de vinho que você pode tomar vários rótulos em taças, sabe? Assim, você pode provar todos os vinhos que quiser, sem ter que comprar a garrafa. Muito top, né?
O lugar não tem nenhum luxo, mas é muito especial. Traz um ar bem bucólico, onde a natureza se faz presente o tempo todo. No gramado, você se depara com delicados pés de limão siciliano, muitas plantas e flores. Para encher meu coração de alegria e fechar com chave de ouro, o hotel ainda tinha uma gatinha de estimação, chamada Sofia, que era um doce e muito carinhosa.
A vista estonteante dos vinhedos e montanhas, o clima bucólico e caseiro, o ar puro da fazenda, a natureza em abundância, tudo isso faz com que o lugar se torne incrivelmente encantador. Você também pode se hospedar nas belíssimas acomodações do La Petite Ferme. Imagine só acordar com uma vista maravilhosa como essa todas as manhãs!
Tente reservar uma mesa na varanda para poder apreciar a vista enquanto deleita-se com sua refeição. Pedi uma truta defumada com mini batatas e o Mau pediu uma perna de coelho com legumes. Ficamos impressionados com a qualidade dos pratos. Simples e, ao mesmo tempo, com sabores delicados e sofisticados. Sem dúvida, um dos melhores achados gastronômicos da região. Para acompanhar, pedimos uma garrafa de um delicioso viogner, produzido pela própria casa.
Você pode visitar e até fazer um cafuné neles, seguindo todas as recomendações da equipe. Mas, por mais que tenha alguém dizendo que é seguro, você pensa: o cara é o animal mais veloz do mundo, vai de 0 a 100 em segundos. Se ele quiser que eu vire o jantar dele, não vai ter para ninguém. Então, mesmo com o coração a mil por hora e um baita medo, eu fui. Fiz um chamego no Ebony, este lindão da foto, e percebi que estar cara a cara, tocando num animal selvagem é a sensação mais louca desse mundo. Indescritível!
Passamos um dia pela Route des Grands Crus, como é chamado o percurso de cerca de 50 km de uma charmosa estradinha que passa entre vilarejos, com diversas vinícolas, onde encontramos os melhores vinhos da região de Borgonha, em especial feitos das uvas Pinot Noir e Chardonnay.
Descobrimos o endereço da Domaine de la Romanée Conti, considerado o vinho mais excepcional de Borgonha e aclamado pelos maiores enólogos. Não tenho paladar apurado para julgar, mas sei que é um dos vinhos mais caros do mundo e queria de qualquer jeito conhecer o lugar que produzia essa raridade e, por que não, degustar um. Paramos em frente aos portões fechados com as iniciais RC. Tocamos a campainha e soltei uma ou duas frases em francês, tentando ser simpática, mas não funcionou. Perguntamos em inglês se podíamos fazer uma visita e o (nada amigável) senhor que nos atendeu fingiu que não era com ele, dizendo que ali não era o lugar que estávamos procurando. Parecia uma coisa sigilosa, onde você só entra com senha, ou se acertar a palavra chave do dia, sabe? Meio James Bond. Enfim, fomos embora, com a certeza de que, por aqueles portões, somente convidados renomados podem adentrar.