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Machu Picchu – nem tudo está perdido

Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras, mas quantas palavras valem uma imagem, uma fotografia que se perdeu no tempo?

Em janeiro de 1999, meu pai me chamou para fazer uma viagem para um destino totalmente inusitado. Iríamos conhecer a Cidade Perdida dos Incas, Machu Picchu, no Peru. Eu tinha apenas 18 anos, pouco sabia da vida, tinha acabado de me formar no colegial, e essa seria minha segunda viagem internacional. Embarquei na aventura com o espírito de Indiana Jones e me surpreendi muito.

Naquela época, décadas antes da era da informação, da tecnologia, do digital, do imediatismo e dos compartilhamentos e check-ins em tempo real, ter um celular era artigo de luxo e para poucos. Provavelmente meu pai tinha um, mas com certeza não tirava fotografias. Então, todos os registros da nossa viagem foram feitos com uma câmera fotográfica com filme, aquela que mandávamos revelar e ficávamos com os negativos, aquela que hoje tornou-se vintage ou oldschool.

Quase vinte anos depois, as lembranças que tenho dessa viagem estão praticamente no coração e na memória. Muitas fotografias se perderam pelo caminho, mas vou tentar registrar aqui, um pouco do que senti e do que vi quando estive na terra sagrada dos incas.

FullSizeRenderFicamos uma noite em Lima e depois fomos direto para Cusco. Me lembro de uma igreja, de uma cidade bem rústica e pitoresca, cheia de paralelepípedos. Me lembro das pessoas com a pele morena e muitas marcas de expressão. Me lembro das cores vibrantes das roupas feitas com a lã das alpacas, me lembro de sorrisos gentis e, ao mesmo tempo pidões. Me lembro de ver esperança no rosto daquele povo.

Não me lembro dos restaurantes, dos pratos, das experiências gastronômicas. Talvez porque, naquela época, eu não tinha nenhum interesse por esse assunto, simplesmente me alimentava por uma necessidade fisiológica, nada mais que isso. As minhas paixões eram outras.

Lembro que não podíamos beber água da torneira, nem escovar os dentes com ela, por conta de doenças e porque ela saía marrom. Me lembro do sabor de um refrigerante local, a Inca Cola. Era um líquido amarelo, com gosto de tutti fruti, devia ser corante puro, mas gostei tanto que, na volta para casa, esvaziei o frigobar do hotel e coloquei todas dentro da mala.

Foi lá que andei de trem pela primeira vez. Meu pai nem cogitou a hipótese de fazermos a caminhada inca, mas lembro da sua cara de alívio quando viu balões de oxigênio disponíveis nos vagões. Lembro que mascamos muitas folhas de coca, para acalmar a tontura e o mal-estar, por conta da altitude. Quando saímos do trem, pegamos um ônibus bem pequeno, que contornava as ruas sinuosas até chegarmos aos quase 2.800 metros de altitude. Em cada curva, um mesmo menininho aparecia acenando e fazendo graça para a gente, ele subia correndo e nos encontrava novamente em cada esquina.

FullSizeRender(2)Quando você chega lá em cima e vê todas aquelas montanhas, as ruínas, o templo do sol, a simetria, o encaixe perfeito das pedras, os caminhos que beiram o precipício, toda uma cidade sagrada construída tão perfeitamente numa época de recursos tão remotos, você percebe como é um ser pequeno. Como a energia daquele lugar é capaz de mexer com a gente e, de alguma forma, nos transformar um pouquinho em seres humanos melhores, menos egoístas, mais humildes, mais evoluídos. Lá, nos damos conta da imensidão da natureza e do poder divino, que são muito, mas muito maiores do que podemos imaginar.

Foi uma viagem incrível e revigorante, em ótima companhia. Pai, não sei se te agradeci apropriadamente por me proporcionar essa experiência. Muito obrigada, mesmo.

Muitos anos se passaram desde então e, com certeza, nem eu, nem Machu Picchu somos as mesmas. Espero um dia poder te reencontrar.

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Kapama, “o” hotel no meio do selva

 

Quando contei nossa aventura no safári, falei que o hotel que nos hospedamos era tão incrível, que merecia (e teria) um post exclusivo aqui no blog. Hoje vou cumprir minha promessa.

O Kapama Private Game Reserve, fica entre as entre as montanhas de Drakensberg e o Kruger Park e possui 4 categorias de lodges , cada uma oferece algo diferente e especial, de acordo com o gosto, bolso e preferência dos visitantes. Nós escolhemos o Kapama Karula.

IMG_0153Chegando lá, fomos recepcionados com welcome drinks e fizemos nosso check in. Nossa aventura já teve início no caminho até o quarto, quando nos deparamos com macacos, impalas e waterbucks, um dos bichos mais lindos que já vimos. A princípio, ficamos com receio de continuar a caminhada, mas o ranger que nos levou até a porta garantiu que eles eram inofensivos.

FullSizeRenderOs quartos, que não podem ser chamados de quartos, pois têm o tamanho de um apartamento, ficam distantes uns dos outros, o que nos dá total privacidade. Já ficamos impressionados quando vimos as fotos pelo site, mas ao vivo, mal acreditamos que tudo aquilo seria nosso, pelo menos pelos próximos 4 dias.

Uma porta suntuosa de madeira maciça dá a ideia do que iremos encontrar lá dentro. São 140m2, basicamente sem paredes e com muito vidro, que dá ainda mais amplitude e iluminação natural aos ambientes do lodge. Na entrada, uma sala aconchegante com máquina Nespresso e biscoitinhos deliciosos estão à nossa disposição. Não tem TV e só nos demos conta disso no último dia. A verdade é que não faz a menor falta, porque a excitação de estar no meio da selva é tão grande, que você dorme e acorda pensando em como vai ser o próximo dia, não consegue pensar em outra coisa.

A decoração é clean e elegante e conta com banheira e uma piscina privativa de borda infinita, com uma vista espetacular da selva. Se você der sorte, conseguirá ver animais passeando ao fundo dessa bela paisagem. Uma cerca elétrica contorna as instalações do hotel e passa bem abaixo da piscina. Algumas vezes me peguei pensando – certeza que, se um leopardo quiser, ele salta essa cerquinha em poucos segundos – mas, tudo bem, a vida na selva tem que ter emoção mesmo!

O chalé é limpo duas vezes ao dia, eles não economizam nas toalhas, que estão por toda parte, sempre macias e cheirosas. Você também vai encontrar torrones de macadâmia sobre o seu travesseiro diariamente, bem como frutas e flores frescas.

IMG_2478Quando entrei no banheiro, pensei – não vai rolar. Se você se sentir à vontade, pode abrir as portas de vidro e respirar a brisa. No meu caso, dei graças a Deus que havia cortinas para me poupar desse episódio. Já chega todas as vezes que tive que fazer xixi atrás do jipe ou da moita (literalmente) nos safaris diurnos e noturnos. Sim, essa sou eu!

IMG_2480Os chuveiros são aventuras à parte. Há um chuveiro externo, que dá para tomar banho em dias quentes, tranquilamente, mas com um os olhos bem abertos. O mais legal é tomar banho no chuveiro interno, todo de vidro (e sem cortina) com uma vista de tirar o fôlego. Já à noite dá um certo medo, pois não enxergamos nada do lado de fora. Dá a sensação de que tem alguém ali nos observando, provavelmente os macaquinhos, que perambulam pelo telhado do quarto, enquanto tentamos dormir.

Toda a estrutura do hotel é bem rústica, muitas árvores, madeira e tons de cáqui e verde deixam os ambientes com um clima bem típico de floresta. Ao mesmo tempo, toques discretos, quadros e esculturas dão um ar de requinte e elegância, na medida certa.

Durante nossa estadia, fomos atendidos pelo mesmo garçom, o Cliff, que sempre nos recebeu com muita cordialidade e simpatia. A comida do hotel é deliciosa e há vinhos com preços bem acessíveis. Não hesite em pedir indicação ao garçom e não deixe de provar um pinotage com a carne de impala, que tem um sabor marcante e uma leveza incrível. Ah, uma dica muito importante para as meninas: quando o jantar for servido ao lado da piscina principal, protejam-se das pererecas, elas se parecem com folhas e estão por toda parte. Medo!

IMG_2548Quando você faz a reserva, eles perguntam se a viagem é para comemorar alguma data especial. Sim, é muito especial – falei. É nosso aniversário de casamento e queremos comemorar em grande estilo. Então, no dia 10 de setembro, voltando para o quarto após o jantar, fomos surpreendidos com uma garrafa de espumante, acompanhada de um bilhete carinhoso e um elefante feito com a toalha de banho. Quem não adora esses mimos? No Kapama é assim, um mimo atrás do outro. E é assim que tem que ser.

Uma viagem dessas não é barata, mas vale cada centavo do investimento, quando você pensa na experiência única que está vivendo ali. Estar em contato com a natureza, fazendo safaris, no habitat de leões, leopardos, elefantes, búfalos, rinocerontes, girafas e todos os outros animais, sentindo um misto de medo e ansiedade, seu espírito aventureiro a flor da pele, não tem preço.

Se tiver a oportunidade de ir, agarre com força. Você não vai se arrepender!

 

 

 

 

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Mykonos pé na areia

Além de ser louca por viagens, sou realmente fã de comida. Como com prazer, com alegria, com atenção aos sabores e aromas. Como com os olhos, boca e nariz.

Gosto do layout dos pratos, de apreciar as obras de arte que os chefs criam na cozinha, de sentir o cheirinho do parmesão gratinado à distância, de sentir a explosão do tomate fresco, do crocante da cebola, do aroma sedutor do funghi, da combinação de cores, do doce com o salgado, do azedo, do amargo, do apimentado, das especiarias. Gosto de comer bem e sempre topo programas gastronômicos, de preferência regados com muito vinho.

E por falar neles, me lembrei de dois lugares bem especiais e encantadores da ilha de Mykonos, na Grécia, que valem uma longa parada.

P1040535 - CopiaUm dos meus restaurantes preferidos é o Ithaki, localizado na praia de Ornos. Ele conseguiu ganhar ponto em todos os quesitos. Pé na areia, vista estonteante para o mar, comida muito bem preparada e apresentada, preço adequado e ambiente nota mil. Aliás, foi o que mais me conquistou. Internamente ele tem delicadas pinturas nas paredes, decoração viva, cheia de cores, espalhadas em pequenos detalhes e nas inúmeras almofadas que enfeitam o local.

P1040536 - CopiaPor ser pé na areia, ele é bastante casual e muito procurado, tanto no almoço, quanto no jantar, por isso, é bom reservar. Especializado em culinária grega e mediterrânea, é difícil não se apaixonar pelos seus pratos, geralmente repletos de frutos do mar, tomate, cogumelos e muito, muito azeite. Se eu tivesse que resumir o Ithaki em poucas palavras, eu diria: comida saborosa, charme puro e muito alto astral.

P1040702Para quem procura uma opção um pouco mais sossegada, mas igualmente maravilhosa, recomendo o Hippie Fish, localizado na praia de Ai Yanni. O restaurante, apesar de também ser pé na areia, me pareceu um pouco mais requintado. Casual, mas ao mesmo tempo elegante, sabe?

Foi lá que experimentei pela primeira vez o tzatziki, aquela divina pasta de iogurte, pepino, alho e dill, com um sabor refrescante e marcante, do qual não vou me esquecer jamais. Além de servir comida típica grega e mediterrânea, o restaurante também tem opções de comida japonesa, mas eu sugiro que você prove o máximo possível da comida local, que é extremamente saudável e deliciosa.

Eu e meu marido somos loucos por frutos do mar. Então, pedimos carpaccio de robalo, lula, camarões e para acompanhar, uma garrafa de vinho branco grego, de uma uva que nunca tínhamos ouvido falar, chamada Assyrtiko, bem mineral, que harmonizou perfeitamente com os pratos. De sobremesa fomos de baklava, doce de nozes bem tradicional com massa filo e mel. Dos deuses!P1040704

Almoçar com uma vista dessas, abre qualquer apetite.

Quando for para Mykonos, escolha um restaurante à beira mar que mais lhe agrade, desconecte-se de seu celular ou qualquer outra fonte de distração, peça um vinho branco e deleite-se com a culinária mediterrânea e a vista que esse paraíso grego tem a oferecer.

 

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Route des Grands Crus

Não sou uma profunda conhecedora de vinhos, mas sem dúvida sou uma grande apreciadora e, sempre que posso, estou com uma taça à mão.

Essa paixão começou há uns dez anos, quando eu e o Mau fizemos nossa primeira viagem pela Toscana, meca dos vinhos italianos. Passear pelas vinícolas e provar o vinho produzido ali, na terra que você está pisando, é uma experiência singular e imperdível.

Se não me engano, foi mais ou menos na mesma época que estreou o filme A Good Year, que conta a história de um garoto chamado Max, que sempre passava as férias no vinhedo de seu tio, na França. Muitos anos se passaram e Max, interpretado por Russel Crowe, se tornou um investidor workaholic, aficionado por bens materiais e totalmente desconectado da família. Ele recebe uma carta com a notícia de que seu tio faleceu e deixou para ele de herança a casa em que passou sua infância. Decidido a ir para França e vender a casa, a história toma outro rumo, quando Max entra em contato com doces lembranças de seu passado, de sua história. Então, ele relembra quem realmente é e volta a dar valor aos simples momentos que, verdadeiramente, o fazem feliz.

O filme despertou em mim a vontade de conhecer a França, mas há dez anos ela era apenas mais um país na minha longa lista de desejos. Então, ao longo dos anos, fiz um curso de vinho aqui, outro ali, vim treinando meu paladar, convencendo o maridão a apreciar um bom vinho (e não só cerveja), até que resolvemos incluir a rota dos vinhos no nosso destino.

IMG_7243Passamos um dia pela Route des Grands Crus, como é chamado o percurso de cerca de 50 km de uma charmosa estradinha que passa entre vilarejos, com diversas vinícolas, onde encontramos os melhores vinhos da região de Borgonha, em especial feitos das uvas Pinot Noir e Chardonnay.

A primeira vinícola que visitamos foi a Chateau de Marsannay. Ao longo do caminho, fomos parando em muitas outras. A maioria delas, tem um espaço que conta a história do terroir, da família dos produtores e do processo de vinificação. Após um tour pelas caves frias, úmidas e um pouco claustrofóbicas, algumas oferecem degustação gratuita de seus vinhos, mas a maioria é paga, e vale muito à pena. No final, você pode comprar os vinhos de sua preferência e rechear sua mala. É simplesmente maravilhoso!

IMG_7252Descobrimos o endereço da Domaine de la Romanée Conti, considerado o vinho mais excepcional de Borgonha e aclamado pelos maiores enólogos. Não tenho paladar apurado para julgar, mas sei que é um dos vinhos mais caros do mundo e queria de qualquer jeito conhecer o lugar que produzia essa raridade e, por que não, degustar um. Paramos em frente aos portões fechados com as iniciais RC. Tocamos a campainha e soltei uma ou duas frases em francês, tentando ser simpática, mas não funcionou. Perguntamos em inglês se podíamos fazer uma visita e o (nada amigável) senhor que nos atendeu fingiu que não era com ele, dizendo que ali não era o lugar que estávamos procurando. Parecia uma coisa sigilosa, onde você só entra com senha, ou se acertar a palavra chave do dia, sabe? Meio James Bond. Enfim, fomos embora, com a certeza de que, por aqueles portões, somente convidados renomados podem adentrar.

Seguimos pela estrada, vimos paisagens belíssimas e encantadoras, degustamos vinhos fantásticos, tiramos centenas de milhares de fotos e tivemos uma certeza: um dia é pouco. Mas essa experiência não para por aqui. Continue acompanhando o blog, pois em breve contarei mais um pouco dessa história e desse lugar tão especial que é a Borgonha.

Que tal um bom vinho agora para finalizar com chave de ouro? Me acompanha?! ;o)

 

 

 

 

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Um achado em Ménerbes

Se o meu blog fosse uma pessoa e pudesse escolher um lugar para viver o resto de seus dias, tenho certeza que escolheria a encantadora Provence, sem titubear. A região tem centenas de pequenos e charmosos vilarejos, que dão o sentido literal ao nome do site.

IMG_7385Em cada canto em que passei, me encantei com algum detalhe. Sejam os campos de girassóis ou os de lavanda, seja uma casa todinha feita de pedra ou trepadeiras subindo até suas janelas coloridas, seja um gatinho perambulando por suas ruelas ou o cheiro de pão quentinho saindo do forno de uma boulangerie. Tudo é lindo demais e altamente capaz de te roubar um sorriso.

Ménerbes não poderia ser diferente. Esse vilarejo de Luberon, o coração de Provence, fica bem no topo de uma colina. Suas ruelas são estreitas e praticamente sem calçadas. As casinhas têm janelas em tons de azul e lilás, que me lembraram as plantações de lavanda que vimos pelo caminho. Não sei bem o porquê, mas tive a impressão de estar em outra época, alguns séculos atrás.

No dia em que visitamos o vilarejo, havia poucas pessoas pelas ruas. Estávamos procurando um lugar para almoçar, mas muitos restaurantes estavam fechados, talvez por conta do horário. Até que, entre uma ruela e outra, encontramos uma portinhola discreta com uma placa de metal em formato de talheres. Entramos!

IMG_7511O Les Saveurs Gourmandes é um restaurante bem pequeno, mas muito charmoso. As paredes são todas de pedra, o que dá um toque bem natural e medieval à decoração que, apesar de ter traços rústicos, é muito elegante. O pé direito é baixo e nos deu a sensação de estarmos numa cave ou grande adega. O lugar ainda conta com lareira e iluminação indireta, que o torna ainda mais aconchegante.

No cardápio, que muda de tempos em tempos, tudo parecia apetitoso. Fomos gentilmente atendidos pela dona do restaurante. Optamos pelo menu de 29 euros, com entrada, prato principal e sobremesa. O Mauricio foi de carpaccio de melão com presunto cru de Avignon e eu de tagliatelle de legumes com lascas de parmesão e molho cítrico. Duas taças de vinho branco da casa para acompanhar. Começamos bem!

IMG_7410De prato principal, pedi um filé de peixe com molho de pimenta vermelha e queijo de cabra (descobri depois que era um tipo de bacalhau e, ainda assim, achei sensacional) e o Mau foi de filé mignon suíno com molho de mel e tomilho. O aroma das ervas frescas e da pimenta denunciava que os pratos estavam a caminho da nossa mesa e perfumava todo o ambiente. Mais duas taças de vinho da casa, por favor!

De sobremesa pedimos o que parecia ser um petit gateau, mas chamava-se moelleux au chocolat, era de dar água na boca e aplausos no final.

Não foi só o sabor incrível dos produtos selecionados pelos melhores fornecedores da região que nos impressionou. A qualidade e o layout dos pratos estavam formidáveis. Pareciam a de um renomado restaurante de uma grande metrópole. Tivemos que parabenizar o chef, tamanha era a nossa satisfação com a experiência gastronômica.

E foi assim, plenamente satisfeitos, que voltamos para nossa base em Provence, a cidadela de Gordes que, em breve, também terá suas histórias reveladas aqui no blog.

Continue acompanhando!

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Os contrastes de Zanzibar

Zanzibar é um pequeno arquipélago banhado pelo Oceano Índico. Considerado um país semiautônomo à Tanzânia, esse pedacinho do continente africano tem mais de 90% de população muçulmana, que vive em extrema pobreza. Sua economia gira, principalmente, por conta do turismo.

Para quem está à procura de praias paradisíacas, mergulho, passeios de barco, calor escaldante e muito sossego, a ilha é um prato cheio e oferece inúmeras opções de hotéis, para todos os gostos e bolsos.

A eleita para os três dias da nossa passagem pela ilha foi a praia de Nungwi, uma das mais belas de Zanzibar. Ficamos hospedados no Z Hotel, mais bonito por fora do que por dentro, mas valeu. Caso tenha interesse, minhas considerações detalhadas sobre o hotel estão no Tripadvisor ;o)

Depois de tanto acordar cedo para pegar os diversos voos que nos levaram para lá e para cá pela África, resolvemos que nossa parada em Zanzibar seria somente para R-E-L-A-X-A-R. Então, passamos boa parte do tempo tomando um sauvignon blanc geladinho na piscina de borda infinita do hotel, com vista para o oceano. O azul do Índico contrastava com os coloridos trajes das muçulmanas que, ao final do dia, lavavam suas roupas à beira mar, enquanto as crianças brincavam alegremente a sua volta. IMG_3016

IMG_2939Tenho que ser sincera. Fazer um passeio romântico (a dois) nessa praia é complicado, pois lá, nunca estamos a sós. Basta colocar os pés na areia, na linha tênue que separa o hotel da praia, que inúmeros pescadores começam a te abordar, tentando vender passeios de barco, artesanato local ou descolar algum agrado. Quando você nega, eles respondem: hakuna matata e passam a rodear outros turistas. A expressão em swahili, a língua local, significa “sem problemas”, “não se preocupe” e resume bem o espírito de seus habitantes.

IMG_2929Quando conseguimos nos desvencilhar dessa turma de capitães de areia, demos uma olhada para trás e vimos que ainda tínhamos companhia. Eram eles, uma dupla da tribo maasai, nômades que costumam circular pelo Quênia e Tanzânia, em seus mantos vermelhos. Eles simplesmente passam a te se seguir e acompanhar sua caminhada e, se você dá corda, começam a conversar, falam um pouco de sua cultura e não deixam dúvida de sua enorme simpatia e marcante personalidade. Estes são Daniel e Michael, que após um jogo de vôlei na praia, nos acompanharam de volta ao hotel, cheios de estilo e alegria.

Tudo isso me fez pensar. Em meio a uma condição de vida precária em todos os sentidos, o povo de Zanzibar, que tem tantos motivos para reclamar e se lamentar, é guerreiro e batalhador. Mais agradece do que pede e está sempre distribuindo gentilezas e sorrisos, acompanhados do mantra “hakuna matata”, e seguindo em frente.

Zanzibar é um lugar que mexe com a gente e ponto. É inevitável.

Eu voltei de lá com um sentimento de que essa viagem foi um divisor de águas na minha vida. Algo aqui dentro mudou. Poucos dias na ilha foram suficientes para gerar um misto de inquietação, questionamento e reflexão, que me trouxe bastante aprendizado. Uma mudança de perspectiva. Uma mudança para o bem. Uma grande lição.

Acho que a canção do filme O Rei Leão resume bem o significado por trás dessa experiência e incrível viagem: “isso é viver, é aprender, hakuna matata”.IMG_2917

 

 

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Cape Town vista de cima

Em dias como o de hoje, frio e chuvoso, costumo me transportar mentalmente para um lugar quente e ensolarado, do jeitinho que eu gosto. Hoje, meus pensamentos foram até a Cidade do Cabo, África do Sul, um lugar surpreendente, que deixou ótimas lembranças.

Quando planejamos nossa viagem, não havia voos diretos de São Paulo para Cape Town (CPT). A parada em Johannesburg (JNB) seria obrigatória. Voamos pela South African Airways e, no momento do check in em SP, nos disseram que teríamos que trocar de aeronave em JNB, passar pela alfândega, pegar as bagagens na esteira e fazer um novo check in para CPT. Nem preciso dizer que perdemos o voo, né?

Conseguimos resolver o perrengue e pegamos o próximo voo com destino à Cape Town. Chegamos no dia do aniversário do Mauricio, e meu maior desejo era que esse dia fosse muito especial.

O clima de Cape Town é um pouco instável. Em poucas horas, um dia ensolarado pode se transformar num céu carregado e coberto de nuvens. Por isso, a recomendação que mais recebi de amigos viajantes e compartilho aqui com vocês é: se você chegar à Cape Town num dia de céu aberto, corra para a Table Mountain.

Foi exatamente o que fizemos. Assim que nos instalamos no Dysart Boutique Hotel, (um encanto à parte), comemos um lanche rápido, pedimos um taxi e fomos direto para lá. Também é possível pegar uma carona no City Sightseeing Bus ou utilizar ônibus convencionais. O imprescindível é não deixar de ir.

IMG_9352Chegamos e compramos nossos ingressos para subir pelo cable car, um tipo de bondinho, que nos leva até o topo do complexo de montanhas em apenas cinco minutos. Confesso que estava com frio na barriga, pois não sou fã de altura, nem de lugares fechados. Porém, o cable car é aberto e giratório, o ar circula bastante e a paisagem é tão, mas tão linda, que nem vi o tempo passar.

Desembarcamos a mais de mil metros de altitude. Por mais alta que esteja a temperatura lá embaixo, a história muda de figura lá em cima. Leve um agasalho. Você pode fazer trilhas, caminhadas e, se tiver um verdadeiro espírito destemido e aventureiro (que não é o meu caso), também pode escalar os penhascos. Boa sorte!

A vista panorâmica realmente impressiona, lembra um pouco o Rio de Janeiro. É possível ver cada canto da cidade e a sensação é de estar bem pertinho do céu.

Demos sorte, pois o vento frio afastou para longe as poucas nuvens que havia do céu, dando espaço para um colorido que anunciava a chegada de mais um pôr do sol. E foi, desse jeito, que começamos a comemorar o aniversário do Mau, agradecendo por esse presente que a natureza nos deu.

A beleza e energia que vimos e sentimos por estarmos ali no alto, tendo a mais bela vista de Cape Town, jamais caberiam numa fotografia. Tentamos eternizar esse momento mesmo assim…

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À noite fomos jantar no Beluga, um restaurante descolado e cosmopolita, especializado em frutos do mar e gastronomia japonesa, localizado num galpão desativado na região de Green Point.

Pedimos lulas e camarões marinados de entrada e, de prato principal, o Mau pediu atum com crosta de gergelim e eu arrisquei um “kingklip”, peixe típico das águas frias do País, ambos deliciosos. Para acompanhar, seguimos a sugestão do garçom e tomamos duas garrafas de Chenin Blanc sul-africano, fresco e frutado, e não nos arrependemos.

Fomos muito bem atendidos do início ao fim por um garçom que realmente sabia o que estava fazendo, conhecia no detalhe os ingredientes dos pratos, sugeria vinhos para as harmonizações e, para fechar com chave de ouro, nos trouxe um sorvete personalizado e ainda cantou parabéns para o Mau.

No final das contas, o dia foi bem mais especial do que eu havia planejado. Com certeza, esse aniversário vai ficar guardado para sempre em nossos corações.

 

 

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Um pouco de Toscana nunca é demais

Minha recomendação mais importante para uma viagem pela Toscana é que você se perca, propositalmente. Não se apegue tanto ao GPS, pois a região tem tanto a oferecer, que seria um desperdício selecionar o que visitar ou não. Deixe-se levar e não se arrependerá.

Chegamos a Firenze ainda sem hotel definido, mas com algumas ideias em mente. Fomos parando de hotel em hotel, até encontrarmos um que nos encantasse e, claro, que tivesse um quarto disponível. Foi assim, que encontramos o Villa Belvedere Hotel.

Ele era simples, mas atendia aos quatro pontos que mais levo em consideração ao escolher um hotel: limpeza, conforto, charme e um belo café da manhã. De lambuja, ainda vi um gatinho andando no estacionamento (para quem não me conhece, sou gateira), era o sinal que faltava para que nos hospedássemos ali.

3O quarto era bem tradicional, estilo fiorentino, e espaçoso. Da janela, além da vista para a piscina, cercada pelos mais belos tipos de flores, ainda podíamos avistar ao fundo a magnífica Catedral Santa Maria del Fiore.

Sempre pedimos dicas de passeio ao concierge do hotel e, dessa vez, nos recomendaram uma esticada até uma comuna italiana chamada Fiesole, que fica a aproximadamente 10 km de Firenze. Fomos conferir.

2O lugar é realmente encantador. Subimos de carro até uma colina que revelava novamente a grandeza da Duomo, dessa vez vista de outro ângulo, mas igualmente bela. A foto principal do post de hoje foi tirada no caminho para lá. Fiquei apaixonada pelos diferentes tons de verde que enfeitavam a antiga construção. Suas paisagens retratam as cores, a personalidade e a alma da Toscana. Simplesmente imperdível.

No final do dia, resolvemos jantar num restaurante, do qual infelizmente não me lembro o nome, pois era incrível. Lembro que pedimos uma entrada divina, que mais parecia um prato principal. Havia porções do puríssimo e saboroso parmigiano reggiano, tomate seco, azeitona (pulei essa parte), caponata de berinjela e abobrinha, salames e cogumelos variados. Para acompanhar, pedimos um Chianti clássico, com a certeza de que seria o casamento perfeito. Nossa, só de falar, já me deu água na boca!

Agora só me resta preparar algo para jantar que me lembre essa experiência, já que o vinho estou tomando desde que comecei a contar essa história…

Até a próxima ;o)

 

 

 

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Annecy, charmosa até em dia de feira

Na manhã de 15 de junho do ano passado, saímos de Dijon a caminho de Annecy, uma cidadezinha da região dos Alpes franceses. Escolhemos estar a muitos quilômetros de distância da Copa do Mundo no Brasil. E fizemos a escolha certa.

A pequena Annecy já encantava pelas fotos, parecia uma cidade de conto de fadas, de tão perfeita. Eu sabia que ela nos encantaria ainda mais ao vivo, mas não imaginava que pudesse ser tão charmosa e apaixonante.

IMG_2048A começar pelo Splendid Hotel, que, em minha opinião, merece muito mais do que as 3 estrelas que tem. Muito bem localizado e com uma maravilhosa vista para o lago Annecy, ele nos surpreendeu positivamente em vários momentos.

Na recepção, fomos acolhidos com muita simpatia e, quando souberam que éramos brasileiros, ficaram animadíssimos, afinal, o Brasil estava em alta na época. Ao chegar no quarto, bastante espaçoso e confortável, encontramos um cartão de boas-vindas assinado pelo gerente do hotel e acompanhado por uma porção de deliciosos macarons. Quem não adora esses mimos? No café da manhã, croissants quentinhos com chocolate adoçavam ainda mais nossos dias e nos davam energia para perambular pela cidade.

Tivemos a sorte de chegar num dia de feira. A cidade fica lotada de turistas que, provavelmente, assim como eu, enlouquecem ao se deparar com tantas cores, cheiros e sabores. Vamos começar pelos tomates no canto esquerdo da foto abaixo. Meu Deus, que coisa mais linda é essa? Parece uma abóbora, só que vermelha e pequena. Não provei, mas imaginei que devia ser muito suculento e ter um sabor bem adocicado. Um pouco a frente, queijos e mais queijos, infinitos tipos e formatos de queijos. Aquele cheiro incrível de roquefort, brie e chèvre no ar. Definitivamente, eu moraria numa cidade de queijos – pensei. Mais adiante, torrones (também conhecidos como nougat) de figo, café, pistache, nutella, gengibre, caramelo e muitas outras opções, que comprei em fatias e trouxe comigo na mala. Flores, pasta de caviar, azeitonas, frutas, pães e artesanatos completavam as barraquinhas que tornavam Annecy ainda mais charmosa.

Você pode caminhar pelas ruelas ou alugar uma bicicleta. Nós passeamos o dia inteiro a pé. O importante é explorar cada canto, já que há tanta beleza e boas surpresas por lá.

No fim de tarde, sentamos num dos barzinhos à beira do lago, pedimos um croque monsieur, uma cervejinha gelada e aproveitamos a vista romântica.

Esse foi um dia simples, mas muito feliz. Que venham outros!

Em breve, outras paisagens, experiências e dicas desse pedacinho do paraíso.

Beijos,