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Santorini e seu majestoso pôr do sol

O momento mais esperado por todos os turistas que visitam a cidade de Oia (pronuncia-se “ía”), na belíssima ilha grega de Santorini, é o pôr do sol. Isso é um fato e posso garantir que a fama não veio à toa.

DSC00076Sou apaixonada pelo sol. Sol é vida, é calor, é alegria. Deve ser impossível não sorrir ao apreciar um nascer ou um pôr do sol. Pelo menos para mim é. O sol é capaz de aquecer, contagiar e derreter até mesmo o coração mais frio. Por tudo isso, eu já imaginava que veria uma linda paisagem e ficaria encantada, mas me surpreendi muito com o que vi.

A vila de Oia por si só já é linda, provavelmente até em dias nublados. As casinhas e restaurantes na encosta do morro, a maioria delas pintada de branco com telhado azul, são lindas de viver. Parece que você está numa pintura, que aquele charme todo não é real. Há flores por toda parte e para onde quer que você olhe, a vista é incrivelmente encantadora. Até uma cena simples do dia a dia, fica mais bonita em Santorini.

P1040337Então, depois de passear pelas ruelas da vila, você começa a se preparar para o espetáculo. Cada um dá uma sugestão do melhor ponto e ângulo para assistir e fotografar o show. Quando você para e percebe o movimento ao seu redor, vê que andou para lá e para cá e que todos os hot spots já estão tomados por multidões, afinal todo mundo recebeu as mesmas dicas que você!

A minha dica é: chegue bem antes do horário previsto para garantir um bom lugar ao sol, literalmente. Leve um chapéu, seus óculos escuros, câmera e um drink a tira colo. Desconecte-se do resto do mundo e contemple, pelo tempo que for necessário, esse momento lindo que a natureza nos dá de presente todos os dias.

Nós encontramos o nosso canto e fizemos dele o lugar mais especial. Sentamos ali, só nós dois, curtindo a nossa lua de mel, tomando um vinho branco, numa das paisagens mais estonteantes que já vi na minha vida. E valeu à pena esperar por ele, que em poucos minutos se despediu de nós, em toda a sua majestade.

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2 restaurantes imperdíveis na Cidade do Cabo

O Old Biscuit Mill é um complexo cultural e gastronômico que fica na área de uma antiga fábrica de biscoitos (hoje desativada) no bairro de Woodstock, a 15 minutos de carro de Green Point, Cidade do Cabo, África do Sul.

Lá você pode encontrar sofisticadas lojas de artesanato, design, artistas de rua, food trucks com gastronomia variada e renomados restaurantes. Para aproveitar tudo isso, recomendo que faça o passeio durante o dia. Nós fomos à noite e as lojas estavam fechadas. Se quiser jantar nos mais badalados, fique esperto e faça a reserva com bastante antecedência, pois alguns chegam a ter MESES de espera, como foi o caso dos famosos The Test Kitchen e o Potluck Club. Bem que tentamos!

FullSizeRender[1]Eu já tinha lido boas críticas do Burrata e, como ele era o único com disponibilidade de reserva, unimos o útil ao agradável. O restaurante é especializado em comida italiana, o ambiente é bonito, moderno e tem um preço muito bom. De entrada fomos de burrata, em homenagem ao local. Deliciosa, mas bem que podiam incluir uns pãezinhos extras na porção. Pedimos pizza, feita no forno à lenha, tamanho individual, mas muito bem servida. Eu fui de prosciutto e arugula, presunto cru e rúcula com mozzarella e parmesão (divina) e o Mau pediu uma tradicional margherita. Tomamos uma garrafa do pinotage local Bot River Beaumont e, infelizmente, não sobrou espaço para a sobremesa. Gastamos em torno de 40 dólares e achei bem em conta, considerando a fartura, a qualidade e o sabor dos pratos.

FullSizeRenderOutro restaurante incrível que adoramos, indicação de uma amiga, foi o Societi Bistro. Se estiver um clima agradável, você pode sentar nas mesinhas do jardim ao ar livre. Se estiver frio, sente no ambiente interno, que é muito charmoso e aconchegante, com uma decoração sofisticada e acolhedora, bem carinha de bistrô mesmo. O restaurante traz um outro conceito à gastronomia, uma vez que criam os animais de forma livre, utilizam produtos orgânicos e uma série de cuidados com os alimentos. O atendimento é nota mil, os garçons são jovens e super descolados, conhecem cada ingrediente e sabem como harmonizá-los com bons vinhos. Eu me lembro que estávamos loucos por uma carninha sangrando e pedimos fillet au poivre e sirloin com cogumelos portobello. Para acompanhar, uma garrafa de cabernet sauvignon Holden Manz, produzido em Franschhoek (uma cidade linda, que terá um post exclusivo aqui) e de sobremesa comemos uma torta de chocolate dos deuses! Minha nossa senhora, deu água na boca só de escrever. Na dúvida, aceite as sugestões dos atenciosos garçons e não vai errar. Nós gostamos tanto que voltamos lá na noite seguinte Mais do que recomendado, super aprovado!

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Não é uma graça?

 

Burrata

The Old Biscuit Mill

375 Albert Road, Woodstock, Cape Town, South Africa

http://burrata.co.za/

Societi Bistro

50 Orange Street, Gardens, Cape Town, South Africa

http://societi.co.za/

obs.: as fotos deste post foram retiradas do próprio site dos restaurantes, já que esqueci de levar a câmera nos jantares e a qualidade das fotos do celular à meia luz deixou muito a desejar. Sorry 😦

Bjs e até semana que vem!

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Mais aromas e sabores de Provence

Está planejando passar uns dias em Provence? Então, provavelmente você vai notar o mesmo que eu ao pesquisar onde ficar: todos os hotéis são lindos e a escolha não vai ser fácil.

Acho que já falei aqui no blog que prefiro pequenos vilarejos a grandes metrópoles e acho que você irá entender o porquê quando vir as próximas fotos. Tudo é mais calmo, mais charmoso, mais sereno. Parece que o tempo nesses lugares passa mais devagar…

Le Mas des Herbes Blanches fica em Joucas, no vale do Luberon, a poucos quilômetros de Gordes. Além de ser cinco estrelas, o hotel é membro do Relais & Chateaux, referência de excelência quando o assunto é hospedagem e gastronomia.

Quando fomos para lá, estávamos na reta final da viagem e nossos euros estavam no mesmo ritmo. Acabamos nos hospedando apenas por uma noite lá, o suficiente para nos deixar com gostinho de quero mais e a certeza de que um dia voltaremos.

IMG_7451O hotel é um grande casarão feito todinho de pedras, os jardins são impecavelmente bem cuidados, há ciprestes e flores por toda parte. O staff é super solícito e cortês. Nosso quarto era o típico cantinho provençal, charmoso, delicado e bem decorado. Definitivamente, o lugar foi projetado para nos fazer sentir em casa, em pleno aconchego.

As amenities são todas da L´Occitane, fabricadas numa cidadezinha lá perto, chamada Manosque. Para completar, tínhamos uma vista maravilhosa da janela do nosso banheiro. Parece o cenário de um filme, de tão lindo, vocês não acham? Sabe que às vezes, quando estou tomando o banho, passo o shampoo de óleos essenciais da marca (o mesmo que usei lá) então, fecho os olhos por alguns segundos, sentindo aquele aroma delicioso e me imagino de volta à Provence. Dá uma saudade…

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Não é de tirar o fôlego?

 

IMG_7435E o café da manhã? O que são aqueles croissants quentinhos que derretem na boca? Está aí uma coisa que não podemos negar, esses franceses realmente sabem preparar um croissant. E a quantidade de opções de geleias? A maioria é feita na própria fazenda, por isso elas são tão fresquinhas e têm aroma e sabor bem marcantes das frutas. Os queijos também são preparados localmente. Me acabei no queijo de cabra, um dos meus preferidos. Agora, tomar um café da manhã incrível com uma vista dessas não tem preço. E quando eu imaginava que tudo não podia ficar ainda mais perfeito, eis que aparece um gatinho para nos fazer companhia, aproveitando o sol e as guloseimas que ganhou da gente. Eles não são bobos, né? ❤

Infelizmente ficamos apenas uma noite nesse hotel e, como passamos o dia em Gordes, acabamos comendo por lá. Uma pena, porque os pratos do restaurante gourmet pareciam verdadeiras obras de arte, tão lindos que deviam dar até dó de comer. Tem uma sobremesa de chocolate com folhinhas de ouro em cima. De comer com a boca, com os olhos e tudo mais que tiver direito. Juro!

Descobrimos o significado de ser um membro do Relais & Chateaux tarde demais e ficamos na vontade. Se você tiver a chance de se hospedar num dos hotéis desse grupo tão seleto, não deixe de aproveitar as experiências gastronômicas e sensoriais que eles são capazes de proporcionar. Quem sabe da próxima vez, teremos a chance de experimentar o que eles chamam de a “alta costura” da gastronomia….

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Santiago de Compostela, muito além do caminho…

IMG_6076Nome: Maria Lúcia Fenerich Coleti

Profissão: Psicóloga

Países que já visitou: nunca contei, mas acho que já visitei uns 12

Lúcia é casada, tem 56 anos e 3 filhos. Ela disse que está numa fase da vida em os filhos já deixaram de correr atrás dela e ela deles e completa: hoje caminhamos lado a lado, junto também com meu marido.

Qual o lugar mais inesquecível que você visitou?  

IMG_6087Toda viagem é inesquecível, mas eu tenho sim uma viagem muito especial que fiz em 2010 com duas amigas para comemorar meus 50 anos. Fomos para a Espanha, fazer parte do caminho francês de Santiago de Compostela. Nessa ocasião, caminhamos 220 km. A viagem foi tão especial e significativa, que retornamos em 2012 (540 km) e 2014 (520 km).

O que te despertou o interesse para fazer essa viagem?

Uma conversa despretensiosa com uma pessoa que conheci por acaso e me contou que havia feito essa viagem num momento de recuperação de uma grave doença. Conforme ela contava, mais eu me interessava, mais eu ficava curiosa por saber como as coisas aconteciam no dia a dia de uma peregrinação. Não sei dizer exatamente o que deu o movimento, mas a partir daquele momento decidi que iria para lá. Talvez o sentimento de arrumar uma mochila e se expor ao mundo e ao inesperado. Nessa preparação, também foi muito importante a leitura de um livro especial que ganhei da minha nora e sempre indico para que tem a vontade de ir, chamado “Compostela – Muito além do caminho de Santiago”, de Beto Colombo e Mhanoel Mendes.

Conte um pouco da sua experiência e do significado dessa viagem. 

Você tem que arrumar sua mochila de tal forma que leve o mínimo de peso possível, pois caminhamos em média 26 km por dia. É importante ter um preparo físico, muscular e aeróbico também. Por mais leve que esteja sua mochila, você vai sentir dores nas costas, nos joelhos. Sempre aparecem novas dores, não importa o quanto você já tenha caminhado. Por isso, prestar a atenção no seu corpo é muito importante para que não se machuque. Já presenciei, mais de uma vez, peregrinos sendo resgatados por táxi ou ambulância, provavelmente por não terem prestado atenção aos sinais dos limites do corpo.

O significado e o propósito de cada um ao decidir fazer essa viagem é pessoal, não podem ser generalizados e nem julgados. Cada um tem um motivo para estar lá. O primeiro grande impacto é na preparação: você tem que deixar suas coisas, seus familiares, seus compromissos. É como abrir um parêntese na sua vida: “me deem licença, eu vou me ausentar por uns dias, mas eu volto”.

Estando lá, apesar de uma programação diária, você está exposto a muitas variáveis que podem impedir que a sua programação seja cumprida. Um dia, erramos o caminho na saída de uma cidade e tivemos que andar 3 km a mais. Nessa situação, isso faz muita diferença. E aí, como você reage a frustrações como essa?

IMG_6083A peregrinação cria condições para você prestar a atenção em você, nos seus sentimentos e nas suas reações, à medida que se expõe a situações novas o tempo todo. Há dias em que você se sente testado na sua paciência, na sua tolerância, na sua resistência, na sua convivência com quem é muito diferente de você. É um exercício diário da mente e do espírito.  A viagem propicia e facilita essa atenção em si próprio, afinal você está “sozinho” e nesse momento o que é mais importante na sua vida é você mesmo. De uma maneira geral é um grande aprendizado.

Tem alguma recomendação ou dica para os nossos leitores? Um restaurante, uma vista, uma experiência imperdível?

IMG_6084Existem povoados isolados, às vezes com 50 habitantes, que encantam e são especiais ou pela paisagem, como é o caso do Cebreiro ou pela gastronomia, como é o caso de Atapuerca ou pela hospedagem, como é o caso de Hontanas.            

Ter feito um pequeno desvio entre Triacastela e Sarria para conhecer Samos me traz boas e emocionantes lembranças. Lá existe um Mosteiro medieval do século VI, da ordem dos beneditinos e você pode assistir a uma missa com cantos gregorianos. Inesquecível!!

Se pudesse descrever em poucas palavras a sensação de estar ali, o que diria?

A sensação é que o aprendizado e o fortalecimento estão com você durante a Caminhada. Chegar em Santiago de Compostela é uma consequência, é a concretização do propósito de ter ido, mas o caminho continua depois que você chega lá.

Bate pronto por Lúcia Coleti

Comida mais deliciosa : Polvo a galega – Pulperia do Ezequiel – Melide

Uma bebida para acompanhar: Todos os vinhos do Caminho

Paisagem mais encantatora: a chegada em Samos (abaixo)

Próximo destino: Voltaremos agora em agosto de 2016 para percorrer o caminho francês inteiro, de Saint Jean (França) à Santiago de Compostela (Espanha), 780km de uma só vez!

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Machu Picchu – nem tudo está perdido

Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras, mas quantas palavras valem uma imagem, uma fotografia que se perdeu no tempo?

Em janeiro de 1999, meu pai me chamou para fazer uma viagem para um destino totalmente inusitado. Iríamos conhecer a Cidade Perdida dos Incas, Machu Picchu, no Peru. Eu tinha apenas 18 anos, pouco sabia da vida, tinha acabado de me formar no colegial, e essa seria minha segunda viagem internacional. Embarquei na aventura com o espírito de Indiana Jones e me surpreendi muito.

Naquela época, décadas antes da era da informação, da tecnologia, do digital, do imediatismo e dos compartilhamentos e check-ins em tempo real, ter um celular era artigo de luxo e para poucos. Provavelmente meu pai tinha um, mas com certeza não tirava fotografias. Então, todos os registros da nossa viagem foram feitos com uma câmera fotográfica com filme, aquela que mandávamos revelar e ficávamos com os negativos, aquela que hoje tornou-se vintage ou oldschool.

Quase vinte anos depois, as lembranças que tenho dessa viagem estão praticamente no coração e na memória. Muitas fotografias se perderam pelo caminho, mas vou tentar registrar aqui, um pouco do que senti e do que vi quando estive na terra sagrada dos incas.

FullSizeRenderFicamos uma noite em Lima e depois fomos direto para Cusco. Me lembro de uma igreja, de uma cidade bem rústica e pitoresca, cheia de paralelepípedos. Me lembro das pessoas com a pele morena e muitas marcas de expressão. Me lembro das cores vibrantes das roupas feitas com a lã das alpacas, me lembro de sorrisos gentis e, ao mesmo tempo pidões. Me lembro de ver esperança no rosto daquele povo.

Não me lembro dos restaurantes, dos pratos, das experiências gastronômicas. Talvez porque, naquela época, eu não tinha nenhum interesse por esse assunto, simplesmente me alimentava por uma necessidade fisiológica, nada mais que isso. As minhas paixões eram outras.

Lembro que não podíamos beber água da torneira, nem escovar os dentes com ela, por conta de doenças e porque ela saía marrom. Me lembro do sabor de um refrigerante local, a Inca Cola. Era um líquido amarelo, com gosto de tutti fruti, devia ser corante puro, mas gostei tanto que, na volta para casa, esvaziei o frigobar do hotel e coloquei todas dentro da mala.

Foi lá que andei de trem pela primeira vez. Meu pai nem cogitou a hipótese de fazermos a caminhada inca, mas lembro da sua cara de alívio quando viu balões de oxigênio disponíveis nos vagões. Lembro que mascamos muitas folhas de coca, para acalmar a tontura e o mal-estar, por conta da altitude. Quando saímos do trem, pegamos um ônibus bem pequeno, que contornava as ruas sinuosas até chegarmos aos quase 2.800 metros de altitude. Em cada curva, um mesmo menininho aparecia acenando e fazendo graça para a gente, ele subia correndo e nos encontrava novamente em cada esquina.

FullSizeRender(2)Quando você chega lá em cima e vê todas aquelas montanhas, as ruínas, o templo do sol, a simetria, o encaixe perfeito das pedras, os caminhos que beiram o precipício, toda uma cidade sagrada construída tão perfeitamente numa época de recursos tão remotos, você percebe como é um ser pequeno. Como a energia daquele lugar é capaz de mexer com a gente e, de alguma forma, nos transformar um pouquinho em seres humanos melhores, menos egoístas, mais humildes, mais evoluídos. Lá, nos damos conta da imensidão da natureza e do poder divino, que são muito, mas muito maiores do que podemos imaginar.

Foi uma viagem incrível e revigorante, em ótima companhia. Pai, não sei se te agradeci apropriadamente por me proporcionar essa experiência. Muito obrigada, mesmo.

Muitos anos se passaram desde então e, com certeza, nem eu, nem Machu Picchu somos as mesmas. Espero um dia poder te reencontrar.

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Kapama, “o” hotel no meio do selva

 

Quando contei nossa aventura no safári, falei que o hotel que nos hospedamos era tão incrível, que merecia (e teria) um post exclusivo aqui no blog. Hoje vou cumprir minha promessa.

O Kapama Private Game Reserve, fica entre as entre as montanhas de Drakensberg e o Kruger Park e possui 4 categorias de lodges , cada uma oferece algo diferente e especial, de acordo com o gosto, bolso e preferência dos visitantes. Nós escolhemos o Kapama Karula.

IMG_0153Chegando lá, fomos recepcionados com welcome drinks e fizemos nosso check in. Nossa aventura já teve início no caminho até o quarto, quando nos deparamos com macacos, impalas e waterbucks, um dos bichos mais lindos que já vimos. A princípio, ficamos com receio de continuar a caminhada, mas o ranger que nos levou até a porta garantiu que eles eram inofensivos.

FullSizeRenderOs quartos, que não podem ser chamados de quartos, pois têm o tamanho de um apartamento, ficam distantes uns dos outros, o que nos dá total privacidade. Já ficamos impressionados quando vimos as fotos pelo site, mas ao vivo, mal acreditamos que tudo aquilo seria nosso, pelo menos pelos próximos 4 dias.

Uma porta suntuosa de madeira maciça dá a ideia do que iremos encontrar lá dentro. São 140m2, basicamente sem paredes e com muito vidro, que dá ainda mais amplitude e iluminação natural aos ambientes do lodge. Na entrada, uma sala aconchegante com máquina Nespresso e biscoitinhos deliciosos estão à nossa disposição. Não tem TV e só nos demos conta disso no último dia. A verdade é que não faz a menor falta, porque a excitação de estar no meio da selva é tão grande, que você dorme e acorda pensando em como vai ser o próximo dia, não consegue pensar em outra coisa.

A decoração é clean e elegante e conta com banheira e uma piscina privativa de borda infinita, com uma vista espetacular da selva. Se você der sorte, conseguirá ver animais passeando ao fundo dessa bela paisagem. Uma cerca elétrica contorna as instalações do hotel e passa bem abaixo da piscina. Algumas vezes me peguei pensando – certeza que, se um leopardo quiser, ele salta essa cerquinha em poucos segundos – mas, tudo bem, a vida na selva tem que ter emoção mesmo!

O chalé é limpo duas vezes ao dia, eles não economizam nas toalhas, que estão por toda parte, sempre macias e cheirosas. Você também vai encontrar torrones de macadâmia sobre o seu travesseiro diariamente, bem como frutas e flores frescas.

IMG_2478Quando entrei no banheiro, pensei – não vai rolar. Se você se sentir à vontade, pode abrir as portas de vidro e respirar a brisa. No meu caso, dei graças a Deus que havia cortinas para me poupar desse episódio. Já chega todas as vezes que tive que fazer xixi atrás do jipe ou da moita (literalmente) nos safaris diurnos e noturnos. Sim, essa sou eu!

IMG_2480Os chuveiros são aventuras à parte. Há um chuveiro externo, que dá para tomar banho em dias quentes, tranquilamente, mas com um os olhos bem abertos. O mais legal é tomar banho no chuveiro interno, todo de vidro (e sem cortina) com uma vista de tirar o fôlego. Já à noite dá um certo medo, pois não enxergamos nada do lado de fora. Dá a sensação de que tem alguém ali nos observando, provavelmente os macaquinhos, que perambulam pelo telhado do quarto, enquanto tentamos dormir.

Toda a estrutura do hotel é bem rústica, muitas árvores, madeira e tons de cáqui e verde deixam os ambientes com um clima bem típico de floresta. Ao mesmo tempo, toques discretos, quadros e esculturas dão um ar de requinte e elegância, na medida certa.

Durante nossa estadia, fomos atendidos pelo mesmo garçom, o Cliff, que sempre nos recebeu com muita cordialidade e simpatia. A comida do hotel é deliciosa e há vinhos com preços bem acessíveis. Não hesite em pedir indicação ao garçom e não deixe de provar um pinotage com a carne de impala, que tem um sabor marcante e uma leveza incrível. Ah, uma dica muito importante para as meninas: quando o jantar for servido ao lado da piscina principal, protejam-se das pererecas, elas se parecem com folhas e estão por toda parte. Medo!

IMG_2548Quando você faz a reserva, eles perguntam se a viagem é para comemorar alguma data especial. Sim, é muito especial – falei. É nosso aniversário de casamento e queremos comemorar em grande estilo. Então, no dia 10 de setembro, voltando para o quarto após o jantar, fomos surpreendidos com uma garrafa de espumante, acompanhada de um bilhete carinhoso e um elefante feito com a toalha de banho. Quem não adora esses mimos? No Kapama é assim, um mimo atrás do outro. E é assim que tem que ser.

Uma viagem dessas não é barata, mas vale cada centavo do investimento, quando você pensa na experiência única que está vivendo ali. Estar em contato com a natureza, fazendo safaris, no habitat de leões, leopardos, elefantes, búfalos, rinocerontes, girafas e todos os outros animais, sentindo um misto de medo e ansiedade, seu espírito aventureiro a flor da pele, não tem preço.

Se tiver a oportunidade de ir, agarre com força. Você não vai se arrepender!

 

 

 

 

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Mykonos pé na areia

Além de ser louca por viagens, sou realmente fã de comida. Como com prazer, com alegria, com atenção aos sabores e aromas. Como com os olhos, boca e nariz.

Gosto do layout dos pratos, de apreciar as obras de arte que os chefs criam na cozinha, de sentir o cheirinho do parmesão gratinado à distância, de sentir a explosão do tomate fresco, do crocante da cebola, do aroma sedutor do funghi, da combinação de cores, do doce com o salgado, do azedo, do amargo, do apimentado, das especiarias. Gosto de comer bem e sempre topo programas gastronômicos, de preferência regados com muito vinho.

E por falar neles, me lembrei de dois lugares bem especiais e encantadores da ilha de Mykonos, na Grécia, que valem uma longa parada.

P1040535 - CopiaUm dos meus restaurantes preferidos é o Ithaki, localizado na praia de Ornos. Ele conseguiu ganhar ponto em todos os quesitos. Pé na areia, vista estonteante para o mar, comida muito bem preparada e apresentada, preço adequado e ambiente nota mil. Aliás, foi o que mais me conquistou. Internamente ele tem delicadas pinturas nas paredes, decoração viva, cheia de cores, espalhadas em pequenos detalhes e nas inúmeras almofadas que enfeitam o local.

P1040536 - CopiaPor ser pé na areia, ele é bastante casual e muito procurado, tanto no almoço, quanto no jantar, por isso, é bom reservar. Especializado em culinária grega e mediterrânea, é difícil não se apaixonar pelos seus pratos, geralmente repletos de frutos do mar, tomate, cogumelos e muito, muito azeite. Se eu tivesse que resumir o Ithaki em poucas palavras, eu diria: comida saborosa, charme puro e muito alto astral.

P1040702Para quem procura uma opção um pouco mais sossegada, mas igualmente maravilhosa, recomendo o Hippie Fish, localizado na praia de Ai Yanni. O restaurante, apesar de também ser pé na areia, me pareceu um pouco mais requintado. Casual, mas ao mesmo tempo elegante, sabe?

Foi lá que experimentei pela primeira vez o tzatziki, aquela divina pasta de iogurte, pepino, alho e dill, com um sabor refrescante e marcante, do qual não vou me esquecer jamais. Além de servir comida típica grega e mediterrânea, o restaurante também tem opções de comida japonesa, mas eu sugiro que você prove o máximo possível da comida local, que é extremamente saudável e deliciosa.

Eu e meu marido somos loucos por frutos do mar. Então, pedimos carpaccio de robalo, lula, camarões e para acompanhar, uma garrafa de vinho branco grego, de uma uva que nunca tínhamos ouvido falar, chamada Assyrtiko, bem mineral, que harmonizou perfeitamente com os pratos. De sobremesa fomos de baklava, doce de nozes bem tradicional com massa filo e mel. Dos deuses!P1040704

Almoçar com uma vista dessas, abre qualquer apetite.

Quando for para Mykonos, escolha um restaurante à beira mar que mais lhe agrade, desconecte-se de seu celular ou qualquer outra fonte de distração, peça um vinho branco e deleite-se com a culinária mediterrânea e a vista que esse paraíso grego tem a oferecer.

 

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Route des Grands Crus

Não sou uma profunda conhecedora de vinhos, mas sem dúvida sou uma grande apreciadora e, sempre que posso, estou com uma taça à mão.

Essa paixão começou há uns dez anos, quando eu e o Mau fizemos nossa primeira viagem pela Toscana, meca dos vinhos italianos. Passear pelas vinícolas e provar o vinho produzido ali, na terra que você está pisando, é uma experiência singular e imperdível.

Se não me engano, foi mais ou menos na mesma época que estreou o filme A Good Year, que conta a história de um garoto chamado Max, que sempre passava as férias no vinhedo de seu tio, na França. Muitos anos se passaram e Max, interpretado por Russel Crowe, se tornou um investidor workaholic, aficionado por bens materiais e totalmente desconectado da família. Ele recebe uma carta com a notícia de que seu tio faleceu e deixou para ele de herança a casa em que passou sua infância. Decidido a ir para França e vender a casa, a história toma outro rumo, quando Max entra em contato com doces lembranças de seu passado, de sua história. Então, ele relembra quem realmente é e volta a dar valor aos simples momentos que, verdadeiramente, o fazem feliz.

O filme despertou em mim a vontade de conhecer a França, mas há dez anos ela era apenas mais um país na minha longa lista de desejos. Então, ao longo dos anos, fiz um curso de vinho aqui, outro ali, vim treinando meu paladar, convencendo o maridão a apreciar um bom vinho (e não só cerveja), até que resolvemos incluir a rota dos vinhos no nosso destino.

IMG_7243Passamos um dia pela Route des Grands Crus, como é chamado o percurso de cerca de 50 km de uma charmosa estradinha que passa entre vilarejos, com diversas vinícolas, onde encontramos os melhores vinhos da região de Borgonha, em especial feitos das uvas Pinot Noir e Chardonnay.

A primeira vinícola que visitamos foi a Chateau de Marsannay. Ao longo do caminho, fomos parando em muitas outras. A maioria delas, tem um espaço que conta a história do terroir, da família dos produtores e do processo de vinificação. Após um tour pelas caves frias, úmidas e um pouco claustrofóbicas, algumas oferecem degustação gratuita de seus vinhos, mas a maioria é paga, e vale muito à pena. No final, você pode comprar os vinhos de sua preferência e rechear sua mala. É simplesmente maravilhoso!

IMG_7252Descobrimos o endereço da Domaine de la Romanée Conti, considerado o vinho mais excepcional de Borgonha e aclamado pelos maiores enólogos. Não tenho paladar apurado para julgar, mas sei que é um dos vinhos mais caros do mundo e queria de qualquer jeito conhecer o lugar que produzia essa raridade e, por que não, degustar um. Paramos em frente aos portões fechados com as iniciais RC. Tocamos a campainha e soltei uma ou duas frases em francês, tentando ser simpática, mas não funcionou. Perguntamos em inglês se podíamos fazer uma visita e o (nada amigável) senhor que nos atendeu fingiu que não era com ele, dizendo que ali não era o lugar que estávamos procurando. Parecia uma coisa sigilosa, onde você só entra com senha, ou se acertar a palavra chave do dia, sabe? Meio James Bond. Enfim, fomos embora, com a certeza de que, por aqueles portões, somente convidados renomados podem adentrar.

Seguimos pela estrada, vimos paisagens belíssimas e encantadoras, degustamos vinhos fantásticos, tiramos centenas de milhares de fotos e tivemos uma certeza: um dia é pouco. Mas essa experiência não para por aqui. Continue acompanhando o blog, pois em breve contarei mais um pouco dessa história e desse lugar tão especial que é a Borgonha.

Que tal um bom vinho agora para finalizar com chave de ouro? Me acompanha?! ;o)

 

 

 

 

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Um achado em Ménerbes

Se o meu blog fosse uma pessoa e pudesse escolher um lugar para viver o resto de seus dias, tenho certeza que escolheria a encantadora Provence, sem titubear. A região tem centenas de pequenos e charmosos vilarejos, que dão o sentido literal ao nome do site.

IMG_7385Em cada canto em que passei, me encantei com algum detalhe. Sejam os campos de girassóis ou os de lavanda, seja uma casa todinha feita de pedra ou trepadeiras subindo até suas janelas coloridas, seja um gatinho perambulando por suas ruelas ou o cheiro de pão quentinho saindo do forno de uma boulangerie. Tudo é lindo demais e altamente capaz de te roubar um sorriso.

Ménerbes não poderia ser diferente. Esse vilarejo de Luberon, o coração de Provence, fica bem no topo de uma colina. Suas ruelas são estreitas e praticamente sem calçadas. As casinhas têm janelas em tons de azul e lilás, que me lembraram as plantações de lavanda que vimos pelo caminho. Não sei bem o porquê, mas tive a impressão de estar em outra época, alguns séculos atrás.

No dia em que visitamos o vilarejo, havia poucas pessoas pelas ruas. Estávamos procurando um lugar para almoçar, mas muitos restaurantes estavam fechados, talvez por conta do horário. Até que, entre uma ruela e outra, encontramos uma portinhola discreta com uma placa de metal em formato de talheres. Entramos!

IMG_7511O Les Saveurs Gourmandes é um restaurante bem pequeno, mas muito charmoso. As paredes são todas de pedra, o que dá um toque bem natural e medieval à decoração que, apesar de ter traços rústicos, é muito elegante. O pé direito é baixo e nos deu a sensação de estarmos numa cave ou grande adega. O lugar ainda conta com lareira e iluminação indireta, que o torna ainda mais aconchegante.

No cardápio, que muda de tempos em tempos, tudo parecia apetitoso. Fomos gentilmente atendidos pela dona do restaurante. Optamos pelo menu de 29 euros, com entrada, prato principal e sobremesa. O Mauricio foi de carpaccio de melão com presunto cru de Avignon e eu de tagliatelle de legumes com lascas de parmesão e molho cítrico. Duas taças de vinho branco da casa para acompanhar. Começamos bem!

IMG_7410De prato principal, pedi um filé de peixe com molho de pimenta vermelha e queijo de cabra (descobri depois que era um tipo de bacalhau e, ainda assim, achei sensacional) e o Mau foi de filé mignon suíno com molho de mel e tomilho. O aroma das ervas frescas e da pimenta denunciava que os pratos estavam a caminho da nossa mesa e perfumava todo o ambiente. Mais duas taças de vinho da casa, por favor!

De sobremesa pedimos o que parecia ser um petit gateau, mas chamava-se moelleux au chocolat, era de dar água na boca e aplausos no final.

Não foi só o sabor incrível dos produtos selecionados pelos melhores fornecedores da região que nos impressionou. A qualidade e o layout dos pratos estavam formidáveis. Pareciam a de um renomado restaurante de uma grande metrópole. Tivemos que parabenizar o chef, tamanha era a nossa satisfação com a experiência gastronômica.

E foi assim, plenamente satisfeitos, que voltamos para nossa base em Provence, a cidadela de Gordes que, em breve, também terá suas histórias reveladas aqui no blog.

Continue acompanhando!