Nome: Lais Diniz
Profissão: Psicóloga
Lais é casada e tem 3 filhas, que trabalham e moram fora do Brasil. Ela me contou que desde que conheceu o marido, eles não pararam mais de viajar. “Tenho que fazer minhas ginásticas para poder conciliar meu consultório, que é uma das minhas grandes paixões, com os esquemas das viagens” – ela diz.
Qual o lugar mais incrível que você já visitou?
Todos os lugares foram maravilhosos, cada um com suas peculiaridades.
Tivemos nossa fase de conhecer os grandes centros do mundo, moramos fora do Brasil várias vezes e aprendemos muito sobre culturas diferentes, costumes, culinária, vinhos e como as pessoas se comportam. Agora, numa fase mais intimista, resolvemos procurar países com menos glamour cosmopolita e com mais belezas naturais. Fomos para Alaska, Antarctica e, recentemente, Islândia.
A Islândia foi uma grande surpresa para mim. Todos falam inglês, pois a língua islandesa é somente deles. A natureza explode em todos momentos e lugares. É uma grande ilha de 350.000 habitantes, que fica entre o Reino Unido e a Groenlândia, quase no Polo Ártico, onde o sol não se põe no verão.

Parece meia-noite? Lá escurece às 2h da madrugada e às 4h já tem sol!
O que te despertou interesse para fazer essa viagem?
Nosso interesse era mais histórico. Eu tinha vontade de conhecer a história dos Vikings, tanto que trouxe de lá um livro de 1000 páginas, que conta as sagas dos islandeses. Também queria conhecer os sistemas de aquecimento através da energia vulcânica. A água sai absolutamente quente das torneiras!
Conte um pouco da sua experiência e do que mais impressionou nessa viagem.
Lá, nós fazíamos programas diários por nossa conta, através de mapas e indicações. O navio oferecia programas de excursões, mas fomos poucas vezes. Esses pacotes eram extremamente caros como, aliás, tudo na Islândia.
O País tem seus recursos hídricos, energia dos vulcões e parques aquáticos com águas sulforosas e muito quentes, como a da Lagoa Azul, uma das atrações mais visitadas por turistas.
As paisagens me impressionaram bastante. Terra vulcânica, imagens áridas sem vegetação, como se estivéssemos em Marte. Formações rochosas vulcânicas, gêiseres, que transbordam águas ferventes e jorram água vinda de vulcões no subsolo. Enfim, muita beleza natural.
Tem alguma recomendação ou dica para os nossos leitores? Um restaurante, uma vista, uma experiência imperdível?
Recomendaria restaurantes da orla em Reykjavík, capital da Islândia, onde servem comidas típicas de baleia, tartarugas marinhas, lagostas e puffins (pequena ave que vive no mar e em cavernas) deliciosos!
Se pudesse descrever em poucas palavras a sensação de estar ali, o que diria?
A natureza explode em todos momentos e lugares. As pessoas são muito agradáveis, gentis e, em geral, belíssimas, principalmente as mulheres.
Bate Pronto – por Lais Diniz
Comida mais deliciosa: Costelinha de porco com batatas assadas, no único pub de Akureyri, norte da ilha, para assistir e torcer para Islândia no jogo com a França na Euro Copa.
Uma bebida para acompanhar: Chopp feito no pub
A paisagem mais encantadora: Montanhas beirando o mar com várias cavernas e baleias nadando ao lado

Só não consegui fotografar as baleias! – diz Lais
Para quantos países você já foi? Muitos, mas acho que preciso visitar muito mais países para ter mais cultura. Hahaha!!
Próximo destino: Talvez Marrocos


Sou apaixonada pelo sol. Sol é vida, é calor, é alegria. Deve ser impossível não sorrir ao apreciar um nascer ou um pôr do sol. Pelo menos para mim é. O sol é capaz de aquecer, contagiar e derreter até mesmo o coração mais frio. Por tudo isso, eu já imaginava que veria uma linda paisagem e ficaria encantada, mas me surpreendi muito com o que vi.
Então, depois de passear pelas ruelas da vila, você começa a se preparar para o espetáculo. Cada um dá uma sugestão do melhor ponto e ângulo para assistir e fotografar o show. Quando você para e percebe o movimento ao seu redor, vê que andou para lá e para cá e que todos os hot spots já estão tomados por multidões, afinal todo mundo recebeu as mesmas dicas que você!

Eu já tinha lido boas críticas do Burrata e, como ele era o único com disponibilidade de reserva, unimos o útil ao agradável. O restaurante é especializado em comida italiana, o ambiente é bonito, moderno e tem um preço muito bom. De entrada fomos de burrata, em homenagem ao local. Deliciosa, mas bem que podiam incluir uns pãezinhos extras na porção. Pedimos pizza, feita no forno à lenha, tamanho individual, mas muito bem servida. Eu fui de prosciutto e arugula, presunto cru e rúcula com mozzarella e parmesão (divina) e o Mau pediu uma tradicional margherita. Tomamos uma garrafa do pinotage local Bot River Beaumont e, infelizmente, não sobrou espaço para a sobremesa. Gastamos em torno de 40 dólares e achei bem em conta, considerando a fartura, a qualidade e o sabor dos pratos.
Outro restaurante incrível que adoramos, indicação de uma amiga, foi o Societi Bistro. Se estiver um clima agradável, você pode sentar nas mesinhas do jardim ao ar livre. Se estiver frio, sente no ambiente interno, que é muito charmoso e aconchegante, com uma decoração sofisticada e acolhedora, bem carinha de bistrô mesmo. O restaurante traz um outro conceito à gastronomia, uma vez que criam os animais de forma livre, utilizam produtos orgânicos e uma série de cuidados com os alimentos. O atendimento é nota mil, os garçons são jovens e super descolados, conhecem cada ingrediente e sabem como harmonizá-los com bons vinhos. Eu me lembro que estávamos loucos por uma carninha sangrando e pedimos fillet au poivre e sirloin com cogumelos portobello. Para acompanhar, uma garrafa de cabernet sauvignon Holden Manz, produzido em Franschhoek (uma cidade linda, que terá um post exclusivo aqui) e de sobremesa comemos uma torta de chocolate dos deuses! Minha nossa senhora, deu água na boca só de escrever. Na dúvida, aceite as sugestões dos atenciosos garçons e não vai errar. Nós gostamos tanto que voltamos lá na noite seguinte Mais do que recomendado, super aprovado!

O hotel é um grande casarão feito todinho de pedras, os jardins são impecavelmente bem cuidados, há ciprestes e flores por toda parte. O staff é super solícito e cortês. Nosso quarto era o típico cantinho provençal, charmoso, delicado e bem decorado. Definitivamente, o lugar foi projetado para nos fazer sentir em casa, em pleno aconchego.
E o café da manhã? O que são aqueles croissants quentinhos que derretem na boca? Está aí uma coisa que não podemos negar, esses franceses realmente sabem preparar um croissant. E a quantidade de opções de geleias? A maioria é feita na própria fazenda, por isso elas são tão fresquinhas e têm aroma e sabor bem marcantes das frutas. Os queijos também são preparados localmente. Me acabei no queijo de cabra, um dos meus preferidos. Agora, tomar um café da manhã incrível com uma vista dessas não tem preço. E quando eu imaginava que tudo não podia ficar ainda mais perfeito, eis que aparece um gatinho para nos fazer companhia, aproveitando o sol e as guloseimas que ganhou da gente. Eles não são bobos, né? ❤
Nome: Maria Lúcia Fenerich Coleti
Toda viagem é inesquecível, mas eu tenho sim uma viagem muito especial que fiz em 2010 com duas amigas para comemorar meus 50 anos. Fomos para a Espanha, fazer parte do caminho francês de Santiago de Compostela. Nessa ocasião, caminhamos 220 km. A viagem foi tão especial e significativa, que retornamos em 2012 (540 km) e 2014 (520 km).
A peregrinação cria condições para você prestar a atenção em você, nos seus sentimentos e nas suas reações, à medida que se expõe a situações novas o tempo todo. Há dias em que você se sente testado na sua paciência, na sua tolerância, na sua resistência, na sua convivência com quem é muito diferente de você. É um exercício diário da mente e do espírito. A viagem propicia e facilita essa atenção em si próprio, afinal você está “sozinho” e nesse momento o que é mais importante na sua vida é você mesmo. De uma maneira geral é um grande aprendizado.
Existem povoados isolados, às vezes com 50 habitantes, que encantam e são especiais ou pela paisagem, como é o caso do Cebreiro ou pela gastronomia, como é o caso de Atapuerca ou pela hospedagem, como é o caso de Hontanas. 

Ficamos uma noite em Lima e depois fomos direto para Cusco. Me lembro de uma igreja, de uma cidade bem rústica e pitoresca, cheia de paralelepípedos. Me lembro das pessoas com a pele morena e muitas marcas de expressão. Me lembro das cores vibrantes das roupas feitas com a lã das alpacas, me lembro de sorrisos gentis e, ao mesmo tempo pidões. Me lembro de ver esperança no rosto daquele povo.
Quando você chega lá em cima e vê todas aquelas montanhas, as ruínas, o templo do sol, a simetria, o encaixe perfeito das pedras, os caminhos que beiram o precipício, toda uma cidade sagrada construída tão perfeitamente numa época de recursos tão remotos, você percebe como é um ser pequeno. Como a energia daquele lugar é capaz de mexer com a gente e, de alguma forma, nos transformar um pouquinho em seres humanos melhores, menos egoístas, mais humildes, mais evoluídos. Lá, nos damos conta da imensidão da natureza e do poder divino, que são muito, mas muito maiores do que podemos imaginar.
Um dos meus restaurantes preferidos é o Ithaki, localizado na praia de Ornos. Ele conseguiu ganhar ponto em todos os quesitos. Pé na areia, vista estonteante para o mar, comida muito bem preparada e apresentada, preço adequado e ambiente nota mil. Aliás, foi o que mais me conquistou. Internamente ele tem delicadas pinturas nas paredes, decoração viva, cheia de cores, espalhadas em pequenos detalhes e nas inúmeras almofadas que enfeitam o local.
Por ser pé na areia, ele é bastante casual e muito procurado, tanto no almoço, quanto no jantar, por isso, é bom reservar. Especializado em culinária grega e mediterrânea, é difícil não se apaixonar pelos seus pratos, geralmente repletos de frutos do mar, tomate, cogumelos e muito, muito azeite. Se eu tivesse que resumir o Ithaki em poucas palavras, eu diria: comida saborosa, charme puro e muito alto astral.
Para quem procura uma opção um pouco mais sossegada, mas igualmente maravilhosa, recomendo o Hippie Fish, localizado na praia de Ai Yanni. O restaurante, apesar de também ser pé na areia, me pareceu um pouco mais requintado. Casual, mas ao mesmo tempo elegante, sabe?

Passamos um dia pela Route des Grands Crus, como é chamado o percurso de cerca de 50 km de uma charmosa estradinha que passa entre vilarejos, com diversas vinícolas, onde encontramos os melhores vinhos da região de Borgonha, em especial feitos das uvas Pinot Noir e Chardonnay.
Descobrimos o endereço da Domaine de la Romanée Conti, considerado o vinho mais excepcional de Borgonha e aclamado pelos maiores enólogos. Não tenho paladar apurado para julgar, mas sei que é um dos vinhos mais caros do mundo e queria de qualquer jeito conhecer o lugar que produzia essa raridade e, por que não, degustar um. Paramos em frente aos portões fechados com as iniciais RC. Tocamos a campainha e soltei uma ou duas frases em francês, tentando ser simpática, mas não funcionou. Perguntamos em inglês se podíamos fazer uma visita e o (nada amigável) senhor que nos atendeu fingiu que não era com ele, dizendo que ali não era o lugar que estávamos procurando. Parecia uma coisa sigilosa, onde você só entra com senha, ou se acertar a palavra chave do dia, sabe? Meio James Bond. Enfim, fomos embora, com a certeza de que, por aqueles portões, somente convidados renomados podem adentrar.
Em cada canto em que passei, me encantei com algum detalhe. Sejam os campos de girassóis ou os de lavanda, seja uma casa todinha feita de pedra ou trepadeiras subindo até suas janelas coloridas, seja um gatinho perambulando por suas ruelas ou o cheiro de pão quentinho saindo do forno de uma boulangerie. Tudo é lindo demais e altamente capaz de te roubar um sorriso.
O Les Saveurs Gourmandes é um restaurante bem pequeno, mas muito charmoso. As paredes são todas de pedra, o que dá um toque bem natural e medieval à decoração que, apesar de ter traços rústicos, é muito elegante. O pé direito é baixo e nos deu a sensação de estarmos numa cave ou grande adega. O lugar ainda conta com lareira e iluminação indireta, que o torna ainda mais aconchegante.
De prato principal, pedi um filé de peixe com molho de pimenta vermelha e queijo de cabra (descobri depois que era um tipo de bacalhau e, ainda assim, achei sensacional) e o Mau foi de filé mignon suíno com molho de mel e tomilho. O aroma das ervas frescas e da pimenta denunciava que os pratos estavam a caminho da nossa mesa e perfumava todo o ambiente. Mais duas taças de vinho da casa, por favor!
E foi assim, que esse filme conseguiu despertar meu interesse e desejo de conhecer a bela Paris. No dia que chegamos, fomos direto para a famosa esquina onde o escritor todas as noites pegava sua carona. Para quem quiser passar por lá, esse cantinho fica na Rue Sainte-Geneviève, bem atrás do Pantheon.