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Mykonos pé na areia

Além de ser louca por viagens, sou realmente fã de comida. Como com prazer, com alegria, com atenção aos sabores e aromas. Como com os olhos, boca e nariz.

Gosto do layout dos pratos, de apreciar as obras de arte que os chefs criam na cozinha, de sentir o cheirinho do parmesão gratinado à distância, de sentir a explosão do tomate fresco, do crocante da cebola, do aroma sedutor do funghi, da combinação de cores, do doce com o salgado, do azedo, do amargo, do apimentado, das especiarias. Gosto de comer bem e sempre topo programas gastronômicos, de preferência regados com muito vinho.

E por falar neles, me lembrei de dois lugares bem especiais e encantadores da ilha de Mykonos, na Grécia, que valem uma longa parada.

P1040535 - CopiaUm dos meus restaurantes preferidos é o Ithaki, localizado na praia de Ornos. Ele conseguiu ganhar ponto em todos os quesitos. Pé na areia, vista estonteante para o mar, comida muito bem preparada e apresentada, preço adequado e ambiente nota mil. Aliás, foi o que mais me conquistou. Internamente ele tem delicadas pinturas nas paredes, decoração viva, cheia de cores, espalhadas em pequenos detalhes e nas inúmeras almofadas que enfeitam o local.

P1040536 - CopiaPor ser pé na areia, ele é bastante casual e muito procurado, tanto no almoço, quanto no jantar, por isso, é bom reservar. Especializado em culinária grega e mediterrânea, é difícil não se apaixonar pelos seus pratos, geralmente repletos de frutos do mar, tomate, cogumelos e muito, muito azeite. Se eu tivesse que resumir o Ithaki em poucas palavras, eu diria: comida saborosa, charme puro e muito alto astral.

P1040702Para quem procura uma opção um pouco mais sossegada, mas igualmente maravilhosa, recomendo o Hippie Fish, localizado na praia de Ai Yanni. O restaurante, apesar de também ser pé na areia, me pareceu um pouco mais requintado. Casual, mas ao mesmo tempo elegante, sabe?

Foi lá que experimentei pela primeira vez o tzatziki, aquela divina pasta de iogurte, pepino, alho e dill, com um sabor refrescante e marcante, do qual não vou me esquecer jamais. Além de servir comida típica grega e mediterrânea, o restaurante também tem opções de comida japonesa, mas eu sugiro que você prove o máximo possível da comida local, que é extremamente saudável e deliciosa.

Eu e meu marido somos loucos por frutos do mar. Então, pedimos carpaccio de robalo, lula, camarões e para acompanhar, uma garrafa de vinho branco grego, de uma uva que nunca tínhamos ouvido falar, chamada Assyrtiko, bem mineral, que harmonizou perfeitamente com os pratos. De sobremesa fomos de baklava, doce de nozes bem tradicional com massa filo e mel. Dos deuses!P1040704

Almoçar com uma vista dessas, abre qualquer apetite.

Quando for para Mykonos, escolha um restaurante à beira mar que mais lhe agrade, desconecte-se de seu celular ou qualquer outra fonte de distração, peça um vinho branco e deleite-se com a culinária mediterrânea e a vista que esse paraíso grego tem a oferecer.

 

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Route des Grands Crus

Não sou uma profunda conhecedora de vinhos, mas sem dúvida sou uma grande apreciadora e, sempre que posso, estou com uma taça à mão.

Essa paixão começou há uns dez anos, quando eu e o Mau fizemos nossa primeira viagem pela Toscana, meca dos vinhos italianos. Passear pelas vinícolas e provar o vinho produzido ali, na terra que você está pisando, é uma experiência singular e imperdível.

Se não me engano, foi mais ou menos na mesma época que estreou o filme A Good Year, que conta a história de um garoto chamado Max, que sempre passava as férias no vinhedo de seu tio, na França. Muitos anos se passaram e Max, interpretado por Russel Crowe, se tornou um investidor workaholic, aficionado por bens materiais e totalmente desconectado da família. Ele recebe uma carta com a notícia de que seu tio faleceu e deixou para ele de herança a casa em que passou sua infância. Decidido a ir para França e vender a casa, a história toma outro rumo, quando Max entra em contato com doces lembranças de seu passado, de sua história. Então, ele relembra quem realmente é e volta a dar valor aos simples momentos que, verdadeiramente, o fazem feliz.

O filme despertou em mim a vontade de conhecer a França, mas há dez anos ela era apenas mais um país na minha longa lista de desejos. Então, ao longo dos anos, fiz um curso de vinho aqui, outro ali, vim treinando meu paladar, convencendo o maridão a apreciar um bom vinho (e não só cerveja), até que resolvemos incluir a rota dos vinhos no nosso destino.

IMG_7243Passamos um dia pela Route des Grands Crus, como é chamado o percurso de cerca de 50 km de uma charmosa estradinha que passa entre vilarejos, com diversas vinícolas, onde encontramos os melhores vinhos da região de Borgonha, em especial feitos das uvas Pinot Noir e Chardonnay.

A primeira vinícola que visitamos foi a Chateau de Marsannay. Ao longo do caminho, fomos parando em muitas outras. A maioria delas, tem um espaço que conta a história do terroir, da família dos produtores e do processo de vinificação. Após um tour pelas caves frias, úmidas e um pouco claustrofóbicas, algumas oferecem degustação gratuita de seus vinhos, mas a maioria é paga, e vale muito à pena. No final, você pode comprar os vinhos de sua preferência e rechear sua mala. É simplesmente maravilhoso!

IMG_7252Descobrimos o endereço da Domaine de la Romanée Conti, considerado o vinho mais excepcional de Borgonha e aclamado pelos maiores enólogos. Não tenho paladar apurado para julgar, mas sei que é um dos vinhos mais caros do mundo e queria de qualquer jeito conhecer o lugar que produzia essa raridade e, por que não, degustar um. Paramos em frente aos portões fechados com as iniciais RC. Tocamos a campainha e soltei uma ou duas frases em francês, tentando ser simpática, mas não funcionou. Perguntamos em inglês se podíamos fazer uma visita e o (nada amigável) senhor que nos atendeu fingiu que não era com ele, dizendo que ali não era o lugar que estávamos procurando. Parecia uma coisa sigilosa, onde você só entra com senha, ou se acertar a palavra chave do dia, sabe? Meio James Bond. Enfim, fomos embora, com a certeza de que, por aqueles portões, somente convidados renomados podem adentrar.

Seguimos pela estrada, vimos paisagens belíssimas e encantadoras, degustamos vinhos fantásticos, tiramos centenas de milhares de fotos e tivemos uma certeza: um dia é pouco. Mas essa experiência não para por aqui. Continue acompanhando o blog, pois em breve contarei mais um pouco dessa história e desse lugar tão especial que é a Borgonha.

Que tal um bom vinho agora para finalizar com chave de ouro? Me acompanha?! ;o)

 

 

 

 

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Um achado em Ménerbes

Se o meu blog fosse uma pessoa e pudesse escolher um lugar para viver o resto de seus dias, tenho certeza que escolheria a encantadora Provence, sem titubear. A região tem centenas de pequenos e charmosos vilarejos, que dão o sentido literal ao nome do site.

IMG_7385Em cada canto em que passei, me encantei com algum detalhe. Sejam os campos de girassóis ou os de lavanda, seja uma casa todinha feita de pedra ou trepadeiras subindo até suas janelas coloridas, seja um gatinho perambulando por suas ruelas ou o cheiro de pão quentinho saindo do forno de uma boulangerie. Tudo é lindo demais e altamente capaz de te roubar um sorriso.

Ménerbes não poderia ser diferente. Esse vilarejo de Luberon, o coração de Provence, fica bem no topo de uma colina. Suas ruelas são estreitas e praticamente sem calçadas. As casinhas têm janelas em tons de azul e lilás, que me lembraram as plantações de lavanda que vimos pelo caminho. Não sei bem o porquê, mas tive a impressão de estar em outra época, alguns séculos atrás.

No dia em que visitamos o vilarejo, havia poucas pessoas pelas ruas. Estávamos procurando um lugar para almoçar, mas muitos restaurantes estavam fechados, talvez por conta do horário. Até que, entre uma ruela e outra, encontramos uma portinhola discreta com uma placa de metal em formato de talheres. Entramos!

IMG_7511O Les Saveurs Gourmandes é um restaurante bem pequeno, mas muito charmoso. As paredes são todas de pedra, o que dá um toque bem natural e medieval à decoração que, apesar de ter traços rústicos, é muito elegante. O pé direito é baixo e nos deu a sensação de estarmos numa cave ou grande adega. O lugar ainda conta com lareira e iluminação indireta, que o torna ainda mais aconchegante.

No cardápio, que muda de tempos em tempos, tudo parecia apetitoso. Fomos gentilmente atendidos pela dona do restaurante. Optamos pelo menu de 29 euros, com entrada, prato principal e sobremesa. O Mauricio foi de carpaccio de melão com presunto cru de Avignon e eu de tagliatelle de legumes com lascas de parmesão e molho cítrico. Duas taças de vinho branco da casa para acompanhar. Começamos bem!

IMG_7410De prato principal, pedi um filé de peixe com molho de pimenta vermelha e queijo de cabra (descobri depois que era um tipo de bacalhau e, ainda assim, achei sensacional) e o Mau foi de filé mignon suíno com molho de mel e tomilho. O aroma das ervas frescas e da pimenta denunciava que os pratos estavam a caminho da nossa mesa e perfumava todo o ambiente. Mais duas taças de vinho da casa, por favor!

De sobremesa pedimos o que parecia ser um petit gateau, mas chamava-se moelleux au chocolat, era de dar água na boca e aplausos no final.

Não foi só o sabor incrível dos produtos selecionados pelos melhores fornecedores da região que nos impressionou. A qualidade e o layout dos pratos estavam formidáveis. Pareciam a de um renomado restaurante de uma grande metrópole. Tivemos que parabenizar o chef, tamanha era a nossa satisfação com a experiência gastronômica.

E foi assim, plenamente satisfeitos, que voltamos para nossa base em Provence, a cidadela de Gordes que, em breve, também terá suas histórias reveladas aqui no blog.

Continue acompanhando!

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Os encantos da Vila

Às vezes os programas mais simples podem ser exatamente os que vão fazer diferença no seu dia.

Vivemos numa cidade maluca, cheia de trânsito e correria, onde tudo acontece na velocidade da luz. Nosso ritmo também é acelerado. Fazemos muitas coisas ao mesmo tempo e, por diversas vezes, em modo automático. Temos vários compromissos e eventos marcados para os finais de semana, nem vemos o tempo passar.

De repente, nos deparamos com um sábado livre, todinho só para gente. De forma totalmente despretensiosa, decidimos fazer um programa bem simples: ir à feira da Vila Madalena, um dos meus bairros preferidos de Sampa.

Ela acontece no burburinho da Vila, entre a Aspicuelta e a Mourato Coelho. Chegamos lá por volta do meio dia, quando os preços já começam a ficar negociáveis, mas antes da xepa. Eu estava toda animada, há anos não ia numa feira em SP, levei até o meu carrinho.

IMG_6446Acho que o legal da feira é comprar produtos fresquinhos, sentir o cheiro dos temperos, das ervas e especiarias, pechinchar bastante, provar tudo que te oferecem e, claro, dar risada das cantadas que, ano após ano, continuam as mesmas. Parar numa barraquinha para comer um pastel era o momento mais esperado. Afinal, dia de feira, pastel de palmito e caldo de cana em companhia bacana, é melhor que qualquer caviar.

Voltamos para casa com o carrinho cheio e o bolso, nem tanto.

IMG_6399Outro programa legal para fazer num dia de sol é passear a pé ou de bike pelo Beco do Batman, um lugar muito procurado por fotógrafos, apreciadores de arte urbana e turistas. É um conjunto de ruelas com paredes cheias de arte, grafites lindos que, de tempos em tempos, são renovados pelos artistas de rua. Vale à pena passear por ali e contemplar o visual. Cor é vida, cor é alegria. Renove suas energias!

IMG_6380E quando bater aquela fome, você estará no lugar certo. O que não faltam na Vila são opções. Se procura um boteco, que foi o nosso caso, nada como um pit stop no Salve Jorge, um dos meus preferidos, justamente pela simplicidade. Se quiser ousar, peça uma caipirinha de tangerina com hortelã e gengibre, que vem com um picolé dentro do copo. Na dúvida, peça o tradicional e geladíssimo chopp com três dedos de espuma bem cremosa e uma porção de frango empanado com corn flakes e não vai se arrepender.

Se preferir um restaurante, sugiro o Martin Fierro. Tímido e discreto por fora, ele surpreende com seu cardápio e bom atendimento. Especializado em culinária argentina, é um dever experimentar as deliciosas empanadas e o bife de chorizo, se possível, com batatas rústicas e uma taça de malbec.

Caso queira estender até à noite, um bar que gosto muito é o Armazém Piola. Tem música ao vivo, drinks inusitados e bem preparados, pizzas e petiscos saborosíssimos e de personalidade, como o pastel de costela com catupiry. O bar também tem teto retrátil, uma ótima opção quando esse frio de lascar for embora.

A verdade é que quando falamos em Vila Madalena e região, o céu é o limite para entretenimento e diversão. O que não falta nesse bairro boêmio de São Paulo é opção. Lojas, restaurantes, livrarias, bares, praças e feiras ao ar livre. Com certeza tem um pedacinho da Vila que vai te encantar também. Aproveite e divirta-se.

 

 

 

 

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Meio dia em Paris

Confesso que nunca fui muito fã de Woody Allen, mas tive que dar o braço a torcer quando assisti Meia Noite em Paris pela primeira vez.

O filme conta a história do escritor americano Gil (Owen Wilson) que está de férias em Paris e, na noite que resolve caminhar até o hotel para tomar um ar fresco, se dá conta de que está perdido. Sentado aos pés da escadaria de uma igrejinha, após ouvir as doze badaladas da meia noite, ele pega carona num carro antigo que, misteriosamente, o leva de volta aos anos 20.

Num bar, ele encontra grandes artistas, músicos e pintores, pelos quais tem enorme admiração, como Scott Fitzgerald, Cole Porter, Ernest Hemingway, Picasso e Dalí. No início, fica bastante atordoado e desorientado ao ouvi-los contar suas histórias, até compreender que havia feito uma viagem no tempo.

A partir de então, ele cria uma rotina e todas as noites passa a viver incríveis momentos ao lado de seus ídolos. O passado sempre teve um charme especial para Gil. Ele pensava que seria mais feliz vivendo em outra época e, na verdade, realmente viveu, ainda que por alguns dias. Esses encontros enriquecedores, serviram de grande inspiração para que ele conseguisse finalizar o romance no qual estava trabalhando e tomar a decisão de largar tudo e morar em Paris. A chance de um recomeço.

Do jardim de Giverny, à tão clichê e necessária Torre Eiffel, a beleza da cidade dispensa qualquer cenário, pois cada canto parece uma verdadeira pintura.

O filme é doce, delicado, instigante. A trilha sonora é tão envolvente, que só de ouvir uma das minhas canções preferidas, chamada “Si tu vois ma mère”, já começo a me imaginar caminhando pelas ruas da capital francesa.

Sério, faça o teste. Digite o nome da música no You Tube e ouça com o coração. Foi o que fiz durante todo o tempo que me dediquei a escrever esse post. Ouvi toda a trilha sonora que, inevitavelmente, me emocionou.

IMG_6864E foi assim, que esse filme conseguiu despertar meu interesse e desejo de conhecer a bela Paris. No dia que chegamos, fomos direto para a famosa esquina onde o escritor todas as noites pegava sua carona. Para quem quiser passar por lá, esse cantinho fica na Rue Sainte-Geneviève, bem atrás do Pantheon.

Foi tão legal estar ali e imaginar como seria viajar no tempo, escolher uma época que te agrada e embarcar sem medo de ser feliz…

 

Nesse dia, caminhamos pelas ruas da cidade despretensiosamente. Compramos alguns doces na Angelina (Rue de Rivoli), sentamos numa praça dentro do belíssimo Jardin de Tuileries e aproveitamos a  simplicidade do momento, sem pressa e com muito amor.

Afinal, a encantadora Paris inspira toda e qualquer paixão.